Se você passou os últimos anos construindo uma nécessaire inteira para parecer que não estava usando maquiagem, talvez seja a hora de mudar um pouco os planos. Depois de temporadas dominadas pela pele quase intocada, sobrancelha penteada e aquele combo “acordei assim” que, ironicamente, exige vários produtos, a maquiagem maximalista está oficialmente de volta ao radar.
E eu já aviso: ela não voltou tímida. Sombras extremamente pigmentadas, delineados gráficos, glitter, olhos borrados, cores inesperadas e uma estética que flerta com o grunge e o underground estão ocupando novamente o espaço que durante anos pertenceu à clean girl.
A diferença? Não existe exatamente uma regra. E talvez seja justamente essa a graça.



DO CLEAN GIRL AO MAXIMALISMO
Durante os últimos anos, a maquiagem praticamente desapareceu, pelo menos visualmente. Pele iluminada, blush discreto, gloss, cílios naturais e sobrancelhas penteadas dominaram TikTok, Instagram e, consequentemente, as tendências de beleza.
Agora parece existir uma certa vontade de fazer justamente o contrário. E isso muda bastante coisa.
A maquiagem deixa de funcionar apenas como ferramenta para corrigir, iluminar ou harmonizar o rosto e volta a ser um acessório de moda. Quase como escolher um sapato, uma bolsa ou uma joia.
UM MAXIMALISMO PARA CADA PERSONALIDADE
Mas não pense que maquiagem maximalista significa necessariamente cobrir o rosto inteiro de glitter. O movimento de 2026 é muito mais interessante justamente porque não existe apenas uma versão dele. Quem gosta de uma estética futurista pode apostar nos delineados gráficos, quase arquitetônicos. Para quem quer cor, entram sombras azuis, verdes, rosas e roxas extremamente pigmentadas.
Tem ainda o lado mais glam, com metálicos, cristais e glitter, e o oposto disso, olhos propositalmente borrados, lápis preto imperfeito e aquela aparência de maquiagem que sobreviveu à noite anterior.
É meio Kate Moss nos anos 1990, meio garota de clube underground, meio personagem futurista.



COMO USAR A MAQUIAGEM MAXIMALISTA EM 2026?
Aqui entra a melhor parte: você não precisa transformar o rosto inteiro. Quer começar devagar? Escolha um único elemento para exagerar.
Um lápis azul borrado com o restante da pele praticamente limpa. Uma sombra metálica aplicada de maneira quase despretensiosa. Um delineado preto enorme. Glitter concentrado no canto dos olhos. Ou aquele smoky eye propositalmente destruído que parece ter vivido uma história antes mesmo de você sair de casa.
A lógica é quase um hi-lo da beleza: quanto mais intenso o olho, mais simples pode ser o restante. E, para quem já estava cansado do minimalismo, pode esquecer tudo isso e exagerar sem culpa.
Porque talvez seja justamente esse o ponto da maquiagem maximalista: não existe uma única estética para seguir.



A FASHION WEEK JÁ DEU O RECADO
Se havia alguma dúvida de que essa estética estava voltando, as últimas semanas de moda ajudaram a resolver.
E a Gucci virou um ótimo exemplo dessa nova energia. No desfile Primavera/Verão 2027, apresentado em Milão sob a direção criativa de Demna, a maison transformou o espaço em uma espécie de réplica de uma loja Gucci e construiu um universo em que diferentes personagens e estilos conviviam ao mesmo tempo.
Na beleza, essa mistura ganhou ainda mais personalidade. Os olhos maximalistas, gráficos e carregados ajudaram a reforçar uma imagem menos polida e mais intensa, aquela maquiagem que parece pertencer muito mais a uma noite alternativa do que a uma rotina cuidadosamente montada para o Instagram.
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