Michael Rider revisita um dos tênis mais importantes da história da Reebok em couro, oito cores e perfil baixo.

A Celine foi ao arquivo da Reebok para seu novo sneaker.
O Celine x Reebok Freestyle Lo parte do modelo criado pela marca esportiva em 1982 e mantém boa parte de sua silhueta original: base baixa, formato estreito e construção muito diferente dos tênis volumosos que dominaram o mercado nos últimos anos.
A colaboração apareceu pela primeira vez no desfile masculino apresentado por Michael Rider em junho, no Tennis Club de Paris. Agora, o lançamento completo chega ao mercado em 10 de setembro.
É também a primeira colaboração da Celine com a Reebok.
Como ficou o Celine x Reebok Freestyle Lo
A alteração mais evidente está nos materiais.
O cabedal foi produzido em couro de cordeiro, com forro e palmilha de poliéster e sola de borracha. A região frontal mantém pequenas perfurações, preservando um detalhe visual do modelo esportivo original.
Os logotipos das duas marcas foram divididos entre os pés.
No esquerdo, uma etiqueta de jacquard apresenta Celine Paris. No direito, aparece Reebok. O calcanhar também segue essa lógica: o Triomphe fica em um dos pés e o logo da Reebok no outro.
As solas recebem assinaturas gravadas das duas marcas, enquanto uma etiqueta removível de couro combina novamente os símbolos de Celine e Reebok.
A colaboração chega em oito cores.
Por que um tênis de 1982?
O Freestyle ocupa uma posição particular no arquivo da Reebok.
Lançado em 1982, o modelo foi desenvolvido especificamente para mulheres em um período marcado pela popularização das aulas de aeróbica.
Segundo a própria Reebok, o Freestyle foi seu primeiro calçado esportivo criado especificamente para o público feminino.
Isso ajuda a entender seu desenho.

Ele não nasceu como tênis de corrida nem como tênis de basquete. Sua construção acompanhava os movimentos das aulas de fitness que cresceram durante os anos 1980.
A versão Freestyle Hi ficaria conhecida pelo cano alto e pelos dois straps ao redor do tornozelo. O Lo simplificou a mesma linguagem em um sneaker baixo.
Com o tempo, o calçado saiu das academias e passou a fazer parte do guarda-roupa casual.
Michael Rider trabalha com uma peça já conhecida
Desde que assumiu a Celine, Michael Rider vem trabalhando com roupas familiares: camisas, blazers, calças, jeans, acessórios e peças que não precisam de uma construção muito complexa para serem reconhecidas.
O Freestyle Lo segue essa linha.
A colaboração não tenta esconder o modelo da Reebok embaixo de uma nova sola ou alterar completamente suas proporções.
A atualização está na escolha do couro, nas cores e na maneira como as duas identidades aparecem no mesmo produto.
Essa abordagem também mantém uma característica importante do sneaker: a espessura reduzida.
LEIA TAMBÉM: A$AP Rocky cria camisas do Manchester City com a PUMA
Sneakers estão ficando mais finos
A escolha acontece em um momento interessante para o mercado de sneakers.
Depois de anos de solas altas, estruturas robustas e referências ao trail e à corrida técnica, os modelos mais estreitos começaram a ocupar mais espaço.
Tênis de futebol, sapatilhas híbridas, modelos de boxe e silhuetas inspiradas em calçados de treino antigos estão entre as principais referências.
O próprio retorno dos plimsolls e outros tênis minimalistas em 2026 acompanha essa mudança de proporção.
Nesse contexto, o Celine x Reebok Freestyle Lo parece atual sem precisar criar uma nova silhueta.
A forma já existia havia mais de quatro décadas.

O arquivo esportivo virou fonte para o luxo
Colaborações entre marcas esportivas e casas de luxo já fazem parte da indústria há algum tempo.
O interessante aqui está no modelo selecionado.
Em vez de escolher um sneaker ligado ao basquete ou à corrida — categorias que tradicionalmente recebem grande atenção no mercado de colecionadores — Celine e Reebok foram atrás de um produto ligado ao fitness feminino dos anos 1980.
A escolha muda a referência visual.
Em vez de uma estrutura pesada, entra um tênis compacto que funciona com calças amplas, shorts, alfaiataria e peças mais ajustadas.
O Freestyle Lo mostra como um arquivo esportivo pode voltar sem precisar ser redesenhado até perder sua origem.
A Celine mexeu pouco na forma e concentrou as mudanças nos materiais, acabamentos e cores. É justamente isso que deixa o modelo de 1982 alinhado ao momento atual dos sneakers.
Se você curte conteúdo sobre moda e lifestyle, acesse o nosso canal do Youtube com a Fabíola Kassin.









