A Dior apresentou em Veneza, dentro do Palazzo del Casinò, a nova coleção assinada por Victoire de Castellane, com 112 peças joalheiras emolduradas por 20 looks couture criados por Jonathan Anderson.



O calendário internacional de alta joalheria acaba de ganhar mais um capítulo histórico. A Dior apresentou em Veneza, na semana passada, a Diorissima, nova coleção de alta joalheria da Dior assinada pela diretora artística da casa para o segmento de jóias, Victoire de Castellane, em uma celebração noturna realizada dentro do Palazzo del Casinò. A operação reuniu 112 peças joalheiras lançadas dentro de 20 looks de alta-costura criados especificamente para a ocasião por Jonathan Anderson, atual diretor criativo geral da casa, em um cruzamento entre joalheria, couture e cenário italiano que define o tom desta edição.
A relação da Dior com Veneza é antiga e profundamente entrelaçada, como os canais da cidade. Em sua autobiografia, Christian Dior chegou a registrar a noite em que desenhou, ao lado de Salvador Dali, os figurinos extravagantes do lendário baile de Charles de Bestegui no Palazzo Labia, evento que ele descreveu como o espetáculo mais maravilhoso que tinha visto na vida. Esse fio continua sendo puxado pela maison até hoje. No mesmo mês desta apresentação, a Dior apoiou o Casino Royale Ball, beneficente em prol da restauração do palácio gótico Ca’ d’Oro, evento que coincidiu com a abertura oficial da Bienal de Veneza. A Diorissima entra agora nesse lineup, como capítulo de joalheria de uma narrativa veneziana que a casa vem construindo há décadas.
O estilo de Victoire de Castellane no comando da Dior Joaillerie, posto que ela ocupa desde 1998, está marcado por flora, fauna, sóis, luas e estrelas, paleta colorida e abordagem quase pictórica das pedras. Nesta coleção, ela dobrou a aposta no uso de laca, que virou sua assinatura técnica, e construiu peças que tratam gemas clássicas como elementos de uma pintura.Aparecem dentro da Diorissima joias como o colar Lucky Flowers, com folhas tipo trevo feitas em camadas finas de crisoprásio, aventurina, turquesa, calcedônia e opala e coroadas por 178 diamantes em corte pera, um motivo de recife de coral em diamantes contornado por traços ultrafinos de ouro branco lacado em tons tropicais, um colar gradiente rosa de glicínia com 4.100 diamantes, rubis, safiras e espinelas, e um colar sunburst chamado Voie Lactée com mais de três mil diamantes irradiando a partir de uma solitária de 7,03 quilates em corte almofada.



A montagem da noite confirmou o nível de produção que define os eventos de alta joalheria da Dior. O Palazzo del Casinò, prédio art déco monumental de Veneza, abriu com um lounge retrô-glamouroso e uma cantora torch ditando o tom para os convidados. As mesas do jantar foram orquestradas pela Cordelia de Castellane, diretora artística da Dior Maison, com arranjos altos salpicados de narcisos em vidro de Murano, porcelana dourada e roupa de mesa estampada com naipes de baralho. O jantar, em si, foi assinado pelo chef Mauro Colagreco, três estrelas Michelin pelo Mirazur, restaurante dele na fronteira franco-italiana. Depois da refeição, a passarela atravessou um salão de jogos montado especialmente, com mesas operadas de pôquer, blackjack, roleta e dados, em uma cenografia que conversa diretamente com a história do prédio.
Por cima do desenho cenográfico, a styling do desfile carregou a assinatura específica da Castellane. Broches viraram presilhas de cabelo em alguns looks, e em outros pousaram em lugares inesperados, como nas costas das peças decotadas, longe da posição central tradicional. Os vestidos curtos e esculturais em veludo panné foram pensados para emoldurar as joias sem competir com elas, e os couture looks assinados por Jonathan Anderson para a ocasião confirmaram o nível de costura que a era dele à frente da casa vem entregando.
A Diorissima, no fundo, funciona como um manifesto duplo: é homenagem aos artistas que o próprio Christian Dior admirava, como Matisse, Man Ray e Picasso, e é também extensão direta do vocabulário visual da Castellane, que mantém a alta joalheria da Dior em diálogo permanente com o desenho contemporâneo. Em Veneza, a longa noite confirmou o que já era esperado: a casa segue jogando alto, mesmo sem precisar mostrar todas as cartas.
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