A executiva mais longeva da marca se despede da “World Famous Supreme Team” e deixa a liderança criativa da grife ainda mais desfalcada.

Erin Magee deixa a Supreme após 22 anos como chief creative officer, e a saída marca o fim de uma das relações mais duradouras da história da marca. A executiva anunciou a própria despedida no Instagram, compartilhando fotos dos anos na grife ao lado de uma mensagem afetuosa. “22 anos”, escreveu ela, definindo como a honra de uma vida ter feito parte da “World Famous Supreme Team”. Magee entrou na Supreme em 2004, quando a marca ainda era uma loja de skate de Nova York, e acompanhou de dentro sua transformação num dos nomes mais reconhecíveis do streetwear global.
A trajetória dela dentro da empresa ajuda a entender o peso da saída. Magee foi galgando funções ao longo de mais de duas décadas e, por volta de 2013, já atuava como gerente de produção da Supreme, cargo que a colocou por trás do desenvolvimento e da fabricação de peças cultuadas da marca. Com o tempo, tornou-se uma das figuras criativas mais longevas e constantes da grife, uma presença que se manteve firme enquanto tudo ao redor mudava. Poucas pessoas conhecem a engrenagem interna da Supreme tão a fundo quanto ela, o que torna a partida especialmente significativa.
O detalhe que agrava a situação é o estado atual da liderança criativa da marca. Quando Erin Magee deixa a Supreme, ela sai de uma equipe que já estava desfalcada no topo. Em fevereiro de 2022, a marca nomeou Tremaine Emory, fundador da Denim Tears, como seu primeiro diretor criativo oficial. Emory deixou o cargo em agosto de 2023, fazendo acusações de racismo estrutural em sua carta de demissão, o que a empresa negou. Desde então, a posição de diretor criativo nunca foi preenchida publicamente, e agora a marca também perde sua chief creative officer, aprofundando o vácuo na cúpula criativa.
Vale lembrar que Magee construiu um legado próprio para além da Supreme. Em 2007, ela fundou a MadeMe, label nova-iorquina que foi uma das primeiras do streetwear com uma perspectiva explicitamente feminina e queer. A marca colaborou com nomes como Vans, Converse, Nike, Dr. Martens e X-Girl, conquistou fãs de peso como Rihanna e ganhou até uma monografia publicada pela Rizzoli sobre sua história. Para Magee, moda sempre foi menos sobre vender roupa e mais sobre usar essa linguagem para provocar e impactar as pessoas, uma filosofia que ela levou tanto para a MadeMe quanto para o trabalho na Supreme.
A saída acontece num momento de grandes transformações para a marca. A Supreme foi comprada pela VF Corporation em 2020, num negócio que a avaliou em bilhões de dólares, e trocou de mãos novamente em outubro de 2024, quando o grupo franco-italiano de eyewear EssilorLuxottica a adquiriu por 1,5 bilhão de dólares. Através de todas essas mudanças de dono e de comando, Magee permaneceu como uma constante. Refletindo sobre sua passagem, ela resumiu à SSENSE ter sido muito legal fazer parte de algo que mudou o mundo. Quando Erin Magee deixa a Supreme após 22 anos, a marca perde não só uma executiva, mas parte da própria memória de como se tornou o que é.









