Batizada de “Collected Works 2016–2026”, a mostra em Estocolmo reúne dez anos de pinturas, colagens, esculturas e um curta rodado no interior da Suécia.


Yung Lean anunciou sua primeira exposição de arte, e o rapper sueco dá um passo que vinha sendo desenhado há uma década. Batizada de “Collected Works 2016–2026”, a mostra abre em 25 de setembro no espaço Gasverket, em Estocolmo, e reúne dez anos de produção visual do artista. Conhecido mundialmente pela música, Jonatan Leandoer Håstad, seu nome real, aproveita a ocasião para se apresentar também como artista plástico, revelando um lado do trabalho dele que sempre existiu nos bastidores, mas raramente foi exposto ao público de forma organizada.
O escopo da exposição mostra que não se trata de um hobby de celebridade. A mostra abrange pinturas, colagens, esculturas e instalações, além de um curta-metragem ambientado ao longo das estradinhas do interior rural da Suécia. É um recorte amplo, que atravessa diferentes linguagens e sugere que a prática visual de Yung Lean é tão diversa quanto sua discografia. Reunir uma década de trabalho num único espaço dá à exposição um caráter quase retrospectivo, permitindo ao público acompanhar a evolução do artista para além do estúdio de música.
A relação dele com as artes visuais, aliás, é bem mais antiga do que a fama musical. Em comunicado, o artista contou que, desde que consegue se lembrar, sonha com cores, e que faz esculturas de madeira, desenhos e pinturas desde criança. Ele descreveu seu processo criativo de um jeito que ecoa diretamente sua música: assim como as canções, as obras nascem por uma espécie de fluxo de consciência, em que ele apenas segue para onde a mão o leva. A frase que resume sua filosofia é reveladora: para ele, suas pinturas não significam nada e, ao mesmo tempo, significam tudo.


Vale entender por que esse movimento faz tanto sentido na trajetória dele. Yung Lean estourou em 2013 com “Ginseng Strip 2002”, faixa que viralizou no YouTube e o transformou numa das figuras mais influentes do cloud rap, ajudando a moldar a estética do SoundCloud rap que dominaria a década seguinte. Seu coletivo, o Sad Boys, sempre operou na fronteira entre música, moda e imagem, com forte identidade visual. Colaboradores próximos, como Bladee, já haviam migrado para as artes plásticas com exposições próprias, então a estreia de Yung Lean nesse território soa como continuação natural de um universo estético que ele vem construindo há anos.
No fim, quando Yung Lean anuncia sua primeira exposição, ele formaliza algo que os fãs já intuíam: a música sempre foi apenas uma das saídas de um impulso criativo maior. Ao abrir “Collected Works 2016–2026” em Estocolmo, sua cidade natal, o artista fecha um ciclo simbólico, levando para uma galeria o mesmo fluxo intuitivo que guia suas canções. Para um público acostumado a consumi-lo pelos fones de ouvido, é a chance de encontrar o trabalho dele emoldurado na parede, e de descobrir que o universo onírico e melancólico das músicas sempre teve, também, uma forma visual esperando para ser mostrada.









