GIAMBATTISTA VALLI RETOMA O CONTROLE TOTAL DA MARCA

O estilista italiano comprou de volta a fatia da Artémis, holding da família Pinault, e fecha um ciclo que começou com a venda em 2021.

GIAMBATTISTA VALLI RETOMA O CONTROLE TOTAL DA MARCA
Foto: Reprodução

O movimento das marcas independentes de moda costuma seguir um trajeto conhecido: nascem sozinhas, vendem para um conglomerado quando o dinheiro aperta, e dificilmente conseguem o caminho de volta. Pois Giambattista Valli retoma o controle total da própria marca e faz exatamente esse trajeto invertido. O estilista italiano comprou de volta a fatia da Artémis, holding da família Pinault que também controla a Kering, e voltou a ser dono integral da casa que carrega o próprio nome.

A relação durou alguns anos. A Artémis fez o primeiro aporte na maison em 2017 e, em 2021, assumiu a maioria do capital. A participação chegou a passar dos 90%, ou seja, faltava muito pouco para a marca virar uma operação totalmente controlada pela holding. Quando Giambattista Valli retoma o controle agora, toda essa estrutura se desfaz e o jogo volta para as mãos do estilista.

Quem acompanhou a casa nos últimos meses sentiu que algo estava se mexendo. Em janeiro deste ano, Valli e a Artémis anunciaram, juntos, o cancelamento do desfile de alta-costura previsto para a Paris Fashion Week. A justificativa oficial falava em “reflexão profunda” sobre a sustentabilidade do negócio. Em retrospectiva, era o telhado da parceria sendo desmontado em câmera lenta, e o anúncio de que Giambattista Valli retoma o controle integral fecha essa leitura.

As declarações oficiais mantiveram o tom diplomático. François-Henri Pinault, chairman e CEO da Artémis, disse ficar feliz em ter apoiado uma visão criativa singular e desejou sucesso a Valli no “próximo estágio”. Do outro lado, ao confirmar que Giambattista Valli retoma o controle da marca, o estilista agradeceu o suporte da Artémis ao longo dos anos e afirmou que agora pode seguir o desenvolvimento da casa com energia. Os valores da operação não foram divulgados, o que é praticamente regra nesse tipo de negócio.

GIAMBATTISTA VALLI RETOMA O CONTROLE TOTAL DA MARCA
Foto: Reprodução

Vale notar que a Artémis não está em modo de retirada do setor. A holding segue com o controle total da Courrèges, marca que vive um momento de visibilidade crescente, e continua firme em outros investimentos. A saída do Valli parece menos uma derrota do que uma decisão de portfólio: nem todo casamento entre grife e conglomerado tem química, e essa, ao que tudo indica, deixou de fazer sentido para os dois lados.

Para quem está chegando agora na história, Valli nasceu em Roma e começou a carreira na Itália antes de se mudar para Paris e aprender o ofício da alta-costura na Emanuel Ungaro. A própria marca estreou em 2005 e construiu, ao longo de duas décadas, uma identidade reconhecível pelas silhuetas românticas e pelos vestidos de festa que viraram presença constante em tapetes vermelhos. A linha de couture, herdada dessa formação, é o coração estético da casa, e justamente por isso o cancelamento do desfile em janeiro pesou tanto. O comunicado oficial reconhece que a Artémis ajudou a estruturar a operação, escalar coleções e expandir a presença internacional. Hoje, a marca tem duas lojas próprias, em Paris e Milão.

E é aqui que a notícia ganha um peso que vai além de Valli. Em um cenário em que o luxo é dominado por dois ou três grupos enormes, ver um estilista voltar a comandar a própria casa, mesmo com toda a turbulência envolvida, é praticamente um manifesto de independência.

A pergunta que fica é simples: Giambattista Valli retoma o controle e prova que dá para fazer caminho de volta, ou esse é só mais um caso isolado em uma indústria que insiste em centralizar?

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