O primeiro leilão só de relógios da casa de Pharrell Williams reúne clássicos vintage e peças de marcas independentes, com lances abertos até 5 de agosto.



A Joopiter anunciou seu primeiro leilão dedicado à alta relojoaria, e o gesto marca a entrada da casa de Pharrell Williams num território que sempre pertenceu aos grandes nomes tradicionais do mercado. Batizado de “Keeping Measure: Watches & Timepieces”, o evento é o primeiro da plataforma inteiramente voltado a relógios, reunindo uma mistura de clássicos vintage e obras-primas modernas. É uma aposta clara de que a mesma lógica cultural que sustenta a marca em outras categorias pode funcionar também num dos segmentos mais tradicionais e exigentes do colecionismo.
A curadoria foi montada para agradar tanto o veterano quanto o iniciante. O leilão reúne desde Speedmasters da Omega até marcas relojoeiras independentes e vanguardistas, passando por nomes de peso como Patek Philippe e Cartier. Essa amplitude é proposital: o evento foi pensado para o colecionador calejado, que busca uma peça específica, mas também para o entusiasta que quer comprar seu primeiro relógio sério. Em vez de mirar apenas o topo do mercado, a Joopiter tenta abrir a porta para quem está começando, algo que casas mais formais raramente fazem de forma tão explícita.
Vale entender o que é a Joopiter para dimensionar o movimento. Fundada em 2022 por Pharrell Williams, a plataforma digital nasceu como uma casa de leilões para objetos com uma história especial, partindo da ideia de que colecionar é, antes de tudo, contar histórias. Enquanto as casas tradicionais se concentram em arte e antiguidades, a Joopiter aposta numa mistura cultural mais ampla, cruzando moda, música, arte, luxo e design. Ao expandir para a alta relojoaria, a marca dá continuidade a essa filosofia, tratando o relógio menos como investimento frio e mais como artefato carregado de significado.

O histórico da plataforma explica a confiança nessa expansão. O leilão de estreia da Joopiter, o “Son of a Pharaoh”, que ofertou itens pessoais de Pharrell, arrecadou 5,25 milhões de dólares, superando com folga a estimativa máxima de 3,2 milhões, com cerca de 94% dos lotes vendidos. O destaque foi um pingente da Jacob & Co. com a caricatura do grupo N.E.R.D., arrematado por 2,18 milhões, mais de nove vezes a estimativa. Com esse tipo de resultado, a decisão de posicionar a casa ao lado de gigantes como Phillips, Christie’s e Sotheby’s, ainda que por um caminho próprio, menos formal e mais movido pela cultura, deixa de soar como ousadia e passa a parecer estratégia.
Para quem quiser participar, o processo é simples e global. Quando a Joopiter anuncia um leilão de alta relojoaria, a proposta é justamente essa: uma disputa totalmente online, aberta a interessados do mundo inteiro, bastando criar uma conta no site para dar lances nos diversos lotes. Os interessados têm até 5 de agosto de 2026 para participar. Mais do que vender relógios caros, a Joopiter parece querer provar uma tese que Pharrell defende desde o início: no colecionismo contemporâneo, a história por trás do objeto pesa tanto quanto o objeto em si. E poucos artefatos carregam tantas histórias quanto um bom relógio.








