A top faz playback de “Wicked Game” num curta que apresenta a “Primavera”, primeira coleção de Demna à frente da marca, cheia de sensualidade e referências clássicas.

Kate Moss está na nova campanha da Gucci, e a presença dela dá o tom da nova era da marca. À medida que a grife italiana inaugura seu novo capítulo criativo sob o comando de Demna, a campanha mais recente mostra a estreia do estilista georgiano com um esforço claro de manter a Gucci associada à sensualidade que sempre fez parte de seu DNA. É a top britânica, ícone máximo do erotismo chique na moda, que ancora essa mensagem, funcionando como uma ponte entre o passado desejável da casa e o que Demna pretende construir daqui para frente.
O coração da campanha é um curta-metragem que aposta na tensão e no romance. Dirigido por Johan Renck, o filme apresenta a campanha da coleção Primavera mostrando Kate Moss fazendo playback de “Wicked Game”, a fumacenta faixa de 1989 de Chris Isaak. Enquanto a música toca, uma sala de espera cheia de estranhos, todos vestidos à altura com a mais nova coleção da Gucci, começa a se emparelhar em momentos de abraço, com olhares de desejo sendo trocados e o amor sendo encontrado na pista de dança. É uma narrativa que traduz em imagem a mesma sensualidade que a trilha sonora sugere.
O elenco reunido para a nova campanha da Gucci reforça o alcance cultural que a marca quer ter. Fotografadas por Michal Chelbin, as imagens que acompanham o filme trazem dez retratos individuais, com nomes como o ator chinês Xiao Zhan, o astro do futebol americano Tom Brady, a modelo Alex Consani, o rapper britânico EsDeeKid, a rapper Rico Nasty e o cantor Shawn Mendes. É um time que atravessa música, cinema, moda e esporte, todos vestindo o duplo G da marca. O próprio nome da coleção, Primavera, faz referência à pintura renascentista homônima de Botticelli, uma inspiração que Demna citou diretamente, com elementos clássicos surgindo ao longo dos retratos.



A campanha está atrelada ao desfile de estreia de Demna, e entender esse contexto é essencial. A coleção de Outono/Inverno 2026, apresentada em Milão, foi uma proposta justa ao corpo e sinuosa, que apostou pesado no apelo sexual, com Kate Moss e Karlie Kloss encerrando o show. Moss desfilou num vestido de costas nuas finalizado com uma tanga de fio cravejada de diamantes, um aceno direto à era Tom Ford da marca, período em que a Gucci era sinônimo de glamour provocante. Não é coincidência: Demna está deliberadamente resgatando essa herança para reposicionar a casa.
O que torna essa estreia ainda mais interessante é a camada pessoal por trás dela. Nos bastidores, Demna falou sobre a coleção em termos íntimos, descrevendo-a como um exercício de se sentir confortável e atraente no próprio corpo depois de anos se contendo. Essa confissão dá à campanha um significado que vai além do marketing, transformando a sensualidade exibida numa espécie de declaração pessoal do estilista. Quando Kate Moss aparece na nova campanha da Gucci fazendo playback de uma música tão carregada de desejo, ela não está apenas vendendo roupa, e sim ajudando Demna a anunciar ao mundo que a Gucci voltou a abraçar, sem culpa, aquilo que sempre soube fazer de melhor: seduzir.









