Kith e BMW conectam passado e futuro em dois X5 únicos

A nova etapa da parceria transforma duas gerações do BMW X5 em peças de design sob medida, combinando restauração, performance e referências da estética da Kith.

Kith e BMW conectam passado e futuro em dois X5 únicos

A parceria entre Kith e BMW ganhou um novo capítulo com dois projetos que colocam diferentes momentos da história do X5 lado a lado. De um lado, um BMW X5 E53 de 2000 completamente restaurado e transformado. Do outro, um BMW X5 2027 que apresenta a quinta geração do modelo com uma linguagem de design inédita.

Os dois veículos são peças únicas e integram o quarto capítulo da colaboração entre a marca de Ronnie Fieg e a montadora alemã. A proposta cria uma conexão direta entre passado e futuro, usando o primeiro Sports Activity Vehicle da BMW como ponto de partida para explorar restauração, personalização e novas soluções de design.

O projeto também chega depois das restaurações especiais de um BMW 3.0 CSi de 1972 e de um BMW M6 E24 de 1987, apresentados anteriormente como parte das comemorações pelos 15 anos da Kith.

Kith e BMW unem duas gerações do X5

A escolha do X5 não acontece por acaso. Lançado no fim dos anos 1990, o modelo inaugurou uma nova categoria dentro da BMW e ajudou a consolidar o conceito de Sports Activity Vehicle usado pela marca.

Na colaboração de 2026, esse legado é reinterpretado em duas direções. O X5 E53 representa a memória do modelo original, enquanto o novo X5 2027 mostra como a BMW pretende atualizar essa identidade mais de duas décadas depois.

Essa construção em paralelo é um dos aspectos mais interessantes da parceria entre Kith e BMW. Em vez de simplesmente aplicar logotipos ou cores especiais a um veículo de produção, o projeto trabalha arquitetura, acabamento, mecânica e interior.

A abordagem reforça também uma mudança nas colaborações entre moda e indústria automotiva. Projetos desse tipo têm deixado de ser apenas exercícios de branding para assumir características próximas às de carros-conceito e peças de coleção.

BMW X5 E53 ganha motor V10 e câmbio manual

O primeiro carro do projeto parte de um BMW X5 E53 fabricado em 2000. Segundo a Hypebeast, Ronnie Fieg e a BMW passaram mais de um ano no processo de restauração completa do veículo, incluindo desmontagem integral da carroceria.

Externamente, o SUV mantém a pintura Titanium Silver Metallic original, preservando parte importante da identidade visual do modelo de primeira geração.

Kith e BMW conectam passado e futuro em dois X5 únicos

Sob o capô, porém, a configuração é completamente diferente da original.

O projeto recebeu um motor S85 V10 de 5,0 litros especialmente integrado ao X5 e combinado a um câmbio manual de seis marchas. O conjunto mantém o sistema de tração integral de fábrica, mas acrescenta escapamento desenvolvido especificamente para o carro, freios BMW M Sport e suspensão recalibrada.

É uma combinação incomum porque o motor S85 ficou associado aos modelos esportivos da divisão M, enquanto o primeiro X5 nasceu com uma proposta diferente.

A intervenção cria, portanto, uma espécie de versão imaginária de performance do X5 original.

Interior troca nostalgia por acabamento Kith

A cabine também foi inteiramente personalizada.

O couro preto recebe o monograma da Kith em relevo, enquanto a identidade da colaboração aparece integrada ao painel de instrumentos. A escolha mantém a linguagem visual reconhecível da marca de Ronnie Fieg sem alterar completamente a arquitetura original do interior.

Esse tipo de acabamento tem sido recorrente nas colaborações entre as duas empresas. Nos BMW 3.0 CSi e M6 apresentados anteriormente, a Kith também trabalhou com interiores personalizados e referências visuais próprias.

Embora o projeto use um BMW X5 de 2000 como base, trata-se de um exemplar único desenvolvido especialmente para a colaboração. As alterações mecânicas e visuais não correspondem a uma versão de produção regular comercializada pela BMW.

LEIA TAMBÉM: A bolsa da Arc’teryx que virou item de desejo

O BMW X5 2027 aponta para uma nova fase

Se o primeiro carro olha para trás, o segundo introduz a próxima geração do X5.

O BMW X5 by Kith 2027 apresenta a quinta geração do SUV e marca o primeiro desenho de carroceria completamente novo do modelo em mais de oito anos.

A mudança aparece principalmente nas proporções e no tratamento das superfícies.

O veículo adota uma estética descrita como minimalista e monolítica, com áreas externas contínuas e redução de elementos visuais. Frisos tradicionais desaparecem e as maçanetas deixam de ficar aparentes.

Na dianteira, surgem faróis com desenho duplo em X e a característica grade em formato de rim da BMW recebe iluminação.

A linguagem é significativamente mais limpa que a do X5 atual e sugere uma tentativa de simplificar a leitura visual de um SUV de grande porte.

Frozen Titanium Silver conecta os dois carros

Mesmo separados por quase três décadas, os dois X5 foram visualmente conectados.

O modelo 2027 utiliza a pintura exclusiva Frozen Titanium Silver, uma referência direta ao acabamento Titanium Silver Metallic presente no X5 E53 restaurado.

A escolha cria continuidade sem produzir dois carros idênticos. O X5 antigo mantém o brilho metálico característico de seu período, enquanto o novo modelo trabalha uma interpretação contemporânea do mesmo universo cromático.

Dentro da cabine, a ligação continua.

O interior do X5 2027 recebe couro preto com monograma da Kith, bordados K&K Crest, bancos dianteiros BMW M Carbon Sport e teto panorâmico.

Motor híbrido leve substitui o V10 do passado

A diferença entre os dois projetos fica ainda mais evidente quando se observa a mecânica.

Enquanto o modelo restaurado recebe um V10 de grande cilindrada, o novo BMW X5 utiliza uma versão atualizada do motor B58 de seis cilindros em linha, combinada a um sistema híbrido leve de 48 volts.

As configurações refletem dois momentos distintos da indústria automotiva.

O X5 de 2000 transformado pela Kith celebra uma era em que motores de grande deslocamento estavam associados diretamente à performance. Já o modelo de 2027 incorpora eletrificação parcial para complementar o conjunto mecânico.

Essa oposição reforça o conceito central da colaboração: mostrar como a ideia de desempenho, luxo e tecnologia mudou ao longo das gerações.

Moda e carros dividem cada vez mais o mesmo território

A relação entre Kith e BMW também mostra como as fronteiras entre moda, design e indústria automotiva se tornaram mais flexíveis.

No caso da Kith, os carros não aparecem isoladamente. O Chapter IV da colaboração inclui também roupas, acessórios e objetos de lifestyle inspirados no universo da BMW. A coleção apresentada anteriormente inclui jaquetas de couro AVIREX, outerwear com referências ao motociclismo, bolsas com monograma e até uma miniatura em escala 1:18 do BMW 3.0 CSi de 1972.

A estratégia cria um ecossistema visual no qual o carro funciona como peça central, mas não necessariamente como único produto da colaboração.

Para marcas de moda, o automóvel oferece uma plataforma capaz de comunicar materiais, cores, história e status cultural. Para montadoras, parcerias desse tipo aproximam modelos históricos e contemporâneos de públicos que acompanham streetwear, design e cultura visual.

No caso do X5, esse diálogo ganha ainda uma dimensão histórica. O modelo original é reinterpretado enquanto sua nova geração é apresentada dentro da mesma narrativa.

Um projeto que transforma arquivo em linguagem contemporânea

O quarto capítulo de Kith e BMW funciona menos como uma simples colaboração comercial e mais como um exercício de design aplicado à história do X5.

O modelo de 2000 preserva elementos reconhecíveis do primeiro SUV da BMW, mas recebe uma mecânica muito mais radical. O X5 2027 segue a direção oposta: utiliza tecnologia atual e uma carroceria inteiramente nova enquanto recupera referências visuais do antecessor.

Ao colocar essas duas propostas lado a lado, a parceria mostra como restauração e inovação podem coexistir dentro da mesma narrativa.

Também reforça um movimento cada vez mais presente na cultura automotiva contemporânea: carros históricos deixam de ser tratados apenas como peças intocáveis de arquivo e passam a funcionar como plataformas para novas interpretações de design.

Se você curte conteúdo sobre moda e lifestyle, acesse o nosso canal do Youtube com a Fabíola Kassin.

Compartilhe

VOCÊ TAMBÉM PODE GOSTAR