A prévia veio na passarela de Milão com dois modelos construídos em cima do número seis, incluindo um chinelo de seis solas sobrepostas que não será vendido.



MM6 Maison Margiela revelou sua collab com a Havaianas em Milão, e o formato do anúncio já diz muito sobre a parceria. Em vez de comunicado ou campanha, a prévia apareceu de surpresa na passarela do desfile Outono/Inverno 26 da casa parisiense durante a Semana de Moda de Milão, com a coleção completa prevista apenas para maio de 2027. O que desfilou foi um aperitivo, não o produto.
O eixo criativo é o número seis, e ele não é arbitrário. A referência direta é à própria MM6, e a partir dela as duas marcas montaram um sistema para reinterpretar os códigos mais reconhecíveis do chinelo brasileiro. Ao longo do trabalho, elementos familiares aparecem multiplicados, deslocados e recolocados fora do lugar, que é exatamente o método pelo qual a Maison Margiela construiu reputação.
Dois modelos apareceram no desfile. O Slim 6Toe parte da silhueta do pé descalço e acrescenta um sexto dedo, distorção sutil o suficiente para passar despercebida à distância e desconcertante de perto. Já a Top 6Layers é a versão radical da ideia: seis solados Havaianas de formatos diferentes empilhados uns sobre os outros, formando uma plataforma propositalmente irregular. A sola de borracha, elemento mais banal do produto original, vira a peça inteira, em uma proporção que a marca nunca havia explorado.


Vale registrar que a Top 6Layers não estará à venda. Ela foi desenvolvida exclusivamente para a passarela, o que a coloca na categoria de objeto conceitual, não de mercadoria. É a peça que existe para ser fotografada e discutida, sustentando a conversa até o lançamento comercial daqui a um ano e meio.
O encontro entre as duas casas é menos improvável do que parece. A MM6 trabalha desde 1997 com peças que se completam conforme quem as veste, e a Havaianas transformou, desde 1962, um item ordinário do cotidiano brasileiro em objeto reconhecido mundialmente. A marca nacional vende mais de 230 milhões de pares por ano e já ultrapassou 5 bilhões de unidades comercializadas desde o lançamento, com 95% dos brasileiros tendo ao menos um par em casa. Colocar esse volume de familiaridade nas mãos de uma casa dedicada a estranhar o familiar é a premissa inteira do projeto.









