O projeto “Motomorphosis” pega dois modelos elétricos da marca e aplica neles comandos de software 3D, resultando em objetos impossíveis de existir.

O MSCHF transformou carros da Lexus em esculturas, e a operação foi executada no sentido mais literal possível. O coletivo de Brooklyn colocou as mãos nos modelos RZ 450e e RX 450h+ e os torceu, esticou e dobrou até virarem formas que pertencem a um museu, não a uma garagem. O resultado atende pelos nomes secos de “Twisted Car” e “Circle Car”, e integra o projeto “Motomorphosis”, desenvolvido com a montadora japonesa.
A lógica por trás vem de software, não de metal. Segundo Kevin Wiesner, diretor criativo e membro fundador do coletivo, operações como torcer, esticar e dobrar fazem parte da linguagem padrão de qualquer programa de modelagem 3D, e o que elas produzem na tela são objetos impossíveis, nativos do digital mas fisicamente absurdos. O grupo pegou esses comandos e os aplicou a um objeto real de duas toneladas.
A referência conceitual é ainda mais precisa. Wiesner explica que a indústria automotiva já tem um formato consagrado para especular sobre o futuro, o carro-conceito, e que a ideia do MSCHF foi inverter essa lógica e tratar o carro de maneira puramente formalista. O coletivo também cita a longa tradição americana de usar o automóvel como matéria de arte, mencionando especificamente o “Backwards Car” de Pippa Garner como inspiração.



O processo de produção é o detalhe mais surpreendente da conversa. As esculturas partem de uma armação de aço sobre a qual são unidas milhares de peças individuais, montadas como blocos de LEGO até formar a pele do objeto. Já o acabamento, a pintura e o verniz seguem exatamente o mesmo procedimento de qualquer oficina de funilaria, massa plástica incluída. É a assinatura do MSCHF: usar processos industriais existentes para produzir algo que a indústria jamais produziria. Wiesner esclarece que algumas partes incorporam peças reais dos veículos, mas que os objetos são esculturas, não carros em funcionamento.
Do lado da Lexus, o projeto se encaixa na filosofia que a marca batizou de Electric Made Art, que trata a eletrificação como meio artístico em vez de especificação técnica. As esculturas serão exibidas ao lado dos veículos originais, para que o visitante veja o antes e o depois lado a lado.
A revelação pública acontece nesta quinta-feira, 24 de setembro, no Chelsea Industrial, em Nova York, como parte da Armory Week.









