RIMOWA e Faber-Castell transformam material de desenho em objeto de design

A colaboração reúne alumínio anodizado, 120 lápis Polychromos e ferramentas com acabamento em platina em uma maleta produzida em Colônia.

RIMOWA e Faber-Castell transformam material de desenho em objeto de design

A RIMOWA x Faber-Castell Artist Case coloca duas marcas alemãs centenárias em torno de um objeto bastante específico: uma maleta para desenho.

A RIMOWA trouxe sua experiência com alumínio, ferragens e organização interna. A Faber-Castell entrou com uma de suas linhas profissionais mais conhecidas, a Polychromos. O resultado é uma edição limitada produzida em Colônia, na Alemanha, com estrutura rígida em alumínio anodizado e um conjunto completo de materiais para desenho.

Por fora, a peça mantém elementos imediatamente reconhecíveis das malas RIMOWA: superfície canelada, cantos metálicos polidos, fechos e alça de couro. A diferença está na escala e no interior, totalmente construído para lápis, borracha, apontador e outros instrumentos de artista.

RIMOWA x Faber-Castell reúne duas histórias alemãs

A colaboração faz sentido também pela origem das duas empresas.

A Faber-Castell foi fundada em 1761 e completa 265 anos em 2026. A empresa permanece controlada pela família fundadora e construiu sua história em torno de instrumentos para escrita, desenho e criação.

A RIMOWA surgiu em 1898, em Colônia, quando Paul Morszeck abriu uma oficina voltada inicialmente à produção de malas e caixas para viajantes.

O alumínio entrou aos poucos na história da marca durante as décadas seguintes e se tornou um de seus principais códigos de design. As ranhuras verticais, hoje imediatamente associadas às malas RIMOWA, foram adotadas posteriormente e transformaram a superfície metálica em parte importante da identidade visual da empresa.

A Artist Case trabalha justamente sobre esse repertório.

RIMOWA e Faber-Castell transformam material de desenho em objeto de design

A estrutura é produzida na fábrica histórica da RIMOWA em Colônia com alumínio anodizado, material submetido a um processo eletroquímico que aumenta a resistência da superfície e permite preservar o aspecto metálico.

Não se trata de simplesmente pintar o alumínio. A anodização modifica a própria camada externa do metal, criando maior proteção contra desgaste e corrosão.

Esse tipo de detalhe ajuda a entender por que o material aparece há tanto tempo em malas pensadas para circular e sofrer impacto.

Uma RIMOWA em escala de ateliê

O desenho externo deriva da coleção Classic da marca.

Os cantos receberam acabamento polido, os fechos são aprovados pela TSA e a alça de couro aparece no verde tradicionalmente associado à Faber-Castell.

Os fechos TSA foram desenvolvidos para permitir que agentes de segurança em aeroportos possam abrir determinados cadeados com uma chave própria sem destruí-los. Num estojo de desenho, essa solução pode parecer exagerada, mas faz sentido dentro da linguagem de produto da RIMOWA.

A própria construção da Artist Case mantém a ideia de mobilidade.

Ela pode ficar aberta sobre uma mesa de trabalho, ser guardada em um estúdio ou acompanhar o usuário em viagens.

Quando a tampa é levantada, o interior revela um sistema de duas bandejas articuladas. O mecanismo permite distribuir os materiais em níveis diferentes sem aumentar demais o tamanho externo da maleta.

É uma solução próxima das antigas caixas de ferramentas e estojos profissionais de pintura, em que organização e acesso rápido são tão importantes quanto proteção.

O que são os lápis Polychromos?

O centro da colaboração está no conjunto de 120 lápis de cor Polychromos.

A Faber-Castell lançou a linha em 1908, quando Alexander von Faber-Castell apresentou uma nova família de lápis voltada ao uso artístico.

Polychromos continua sendo uma linha profissional da marca e é especialmente conhecida pela carga de pigmento, resistência à luz e mina à base de óleo.

Essa composição importa porque interfere diretamente no comportamento do lápis.

RIMOWA e Faber-Castell transformam material de desenho em objeto de design

Os pigmentos produzem cores intensas, enquanto a mina permite trabalhar camadas, misturas e detalhes sem o acabamento excessivamente ceroso encontrado em alguns outros lápis de cor.

Os Polychromos também são resistentes à água e a borrões depois de aplicados, características úteis em ilustração, desenho artístico e trabalhos gráficos.

A linha completa atual vai além das 120 cores presentes na colaboração, mas esse formato continua sendo um dos conjuntos tradicionais da Faber-Castell.

Por que “Polychromos”?

O nome vem da ideia de múltiplas cores.

Quando a linha foi criada no início do século XX, um dos desafios técnicos estava na estabilidade dos pigmentos e na capacidade de manter as cores resistentes à luz ao longo do tempo.

Esse ponto continua importante em materiais profissionais. Um pigmento com baixa resistência pode mudar de tom ou desbotar quando o desenho permanece exposto à iluminação.

A Faber-Castell classifica seus lápis justamente pela capacidade de preservar a cor.

Grafite, apontador e borracha também foram redesenhados

Os Polychromos ocupam a maior parte da Artist Case, mas não são os únicos materiais presentes.

A colaboração inclui lápis de grafite 2B Grip personalizados.

O “2B” indica a graduação do grafite. Na escala tradicional utilizada em lápis, letras H indicam minas mais duras e claras, enquanto B identifica grafites mais macios e escuros. Um 2B produz um traço relativamente macio e é bastante usado para esboço e desenho.

Os lápis receberam ranhuras que remetem à superfície das malas RIMOWA.

O conjunto ainda inclui um apontador e uma borracha com acabamento banhado a platina e branding da RIMOWA.

É aqui que o produto deixa mais evidente sua posição como objeto de coleção.

Um apontador funcional não precisa ser revestido de platina para cumprir sua função. A escolha trabalha com acabamento, exclusividade e a lógica de luxo aplicada até aos menores componentes do conjunto.

Quando o material artístico entra no mercado de luxo

Nos últimos anos, a RIMOWA vem ampliando sua linguagem para objetos que têm pouco a ver diretamente com roupas ou bagagem convencional.

A marca já aplicou sua construção de alumínio a cases para relógios, garrafas, equipamentos e outros objetos de coleção.

A Artist Case segue essa lógica, mas encontra uma ligação histórica interessante.

No início de sua trajetória, a própria RIMOWA já produzia caixas e estojos menores para profissionais em viagem. Transformar o formato novamente em recipiente para ferramentas aproxima o produto de uma função presente na empresa antes mesmo de suas malas modernas se tornarem símbolos de design.

Do lado da Faber-Castell, a colaboração também desloca um produto técnico para outro contexto.

Os lápis continuam exatamente ligados à função para a qual foram criados. O que muda é o objeto que os cerca.

Essa combinação explica melhor a colaboração do que simplesmente chamá-la de “estojo de lápis de luxo”.

É uma caixa de ferramentas criativas construída segundo os códigos de uma marca especializada em bagagem.

O preço também posiciona o produto como peça de coleção

A RIMOWA x Faber-Castell Artist Case tem preço recomendado de 2.400 euros.

O valor inclui a maleta, o conjunto de 120 Polychromos, lápis de grafite personalizados e os acessórios desenvolvidos para a colaboração.

A produção é limitada, embora as marcas não tenham divulgado publicamente o número total de unidades.

O produto também recebe garantia de dois anos.

Sua posição fica em algum lugar entre equipamento funcional, objeto de design e item colecionável — categorias que se cruzam com frequência nas colaborações recentes da RIMOWA.

Uma colaboração construída a partir do objeto

A RIMOWA x Faber-Castell Artist Case funciona porque as duas marcas entram com conhecimentos bastante claros.

A Faber-Castell fornece ferramentas criadas para desenhar. A RIMOWA resolve a forma de transportar, organizar e proteger esse material.

O alumínio canelado transforma a caixa em um objeto imediatamente reconhecível, enquanto os 120 Polychromos mantêm a função no centro do projeto.

O preço certamente restringe o público, mas a colaboração revela algo mais interessante dentro do design contemporâneo: objetos cotidianos estão sendo revisitados com o mesmo cuidado de construção, material e identidade normalmente reservado a acessórios de moda ou mobiliário.

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