Entre os dias 2 e 6 de abril, o Pavilhão da Bienal, no Parque Ibirapuera, em São Paulo, será palco da SP-Arte 2025, uma das principais feiras de arte da América Latina. Em sua 21ª edição, o evento reafirma seu papel como espaço de convergência entre arte, design e cultura, com foco especial no crescimento do setor de design autoral brasileiro, que ganha ainda mais protagonismo nesta edição.
Desde 2016, o design ocupa uma área dedicada dentro da feira, e em 2025 o número de galerias e estúdios especializados subiu de 71 para 81 expositores, refletindo o interesse crescente por criações que cruzam funcionalidade, inovação e identidade visual. Ao todo, a feira contará com cerca de 200 expositores, entre galerias de arte, design, editoras, projetos independentes e instituições culturais.

Design em destaque: diálogos entre passado, presente e futuro
A programação deste ano oferece uma curadoria robusta que percorre diferentes abordagens do design nacional. A galeria Etel apresenta uma reedição da icônica mesa de centro “Tomie Ohtake”, concebida originalmente por Ruy Ohtake em 1969 e reinterpretada por seu filho Rodrigo Ohtake. A peça é um tributo ao legado da família e ao diálogo contínuo entre arte, arquitetura e mobiliário.
A Teo, por sua vez, exibe uma exposição com curadoria do arquiteto e crítico Francesco Perrotta-Bosch, que reúne peças raras e inéditas adquiridas em residências históricas de São Paulo. A proposta é refletir sobre o papel do design na construção de atmosferas afetivas e na valorização da memória arquitetônica doméstica.
Já a galeria Alex Rocca apresenta a coleção “Herança”, que investiga influências afro-brasileiras por meio de tapeçarias com detalhes em vidro e pedrarias. A série resgata estéticas ligadas às joias crioulas, propondo uma leitura sensível sobre ancestralidade, resistência e identidade cultural por meio do design.
Artes visuais: grandes nomes e novas perspectivas
O núcleo dedicado às artes visuais também se destaca com a participação de galerias consolidadas e artistas influentes. A Luisa Strina leva à feira obras de Anna Maria Maiolino, Cildo Meireles e Fernanda Gomes, nomes fundamentais da arte brasileira que seguem em constante reinvenção.
A galeria Mendes Wood DM destaca o trabalho de Lucas Arruda, artista conhecido internacionalmente por suas paisagens etéreas e minimalistas, e que, recentemente, tornou-se o primeiro brasileiro a expor no Musée d’Orsay, em Paris. Já a tradicional Pinakotheke apresentará, pela primeira vez ao público, o tríptico “A Grande Queimada” (1963), do cearense Antônio Bandeira, obra icônica que dialoga com os dramas e contrastes do Brasil moderno.
Conexões internacionais e expansão do design brasileiro no exterior
A crescente presença de estúdios e designers brasileiros em feiras internacionais têm refletido o fortalecimento do setor dentro e fora do país, movimento que se conecta diretamente com o destaque dado ao design na SP-Arte 2025. O evento funciona não apenas como uma vitrine nacional, mas também como um trampolim para que novas vozes do design brasileiro circulem em contextos globais, fortalecendo a imagem do Brasil como um polo criativo em expansão. A qualidade técnica e o repertório conceitual dos trabalhos apresentados têm despertado o interesse de colecionadores, curadores estrangeiros e instituições culturais.
Essa ampliação da visibilidade é impulsionada pelas próprias dinâmicas da SP-Arte, que promove o intercâmbio entre profissionais do Brasil e do exterior por meio de conversas, ativações e visitas internacionais. Além disso, o diálogo entre arte e design presente na feira reforça a ideia de que o design brasileiro tem potencial para ocupar espaços de prestígio não apenas como funcionalidade estética, mas como linguagem artística com identidade própria. A edição de 2025 consolida essa direção e reafirma o compromisso da feira com a valorização da produção autoral brasileira no cenário global.
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SP-Arte 2025: Um evento essencial para o circuito criativo
Desde sua criação em 2005, a SP-Arte se consolidou como um dos eventos mais aguardados do calendário cultural brasileiro, reunindo colecionadores, artistas, curadores, designers e um público interessado em descobrir novas linguagens visuais. A feira também é uma plataforma para artistas emergentes e promove conexões entre a cena brasileira e o mercado internacional.
Além dos estandes, a SP-Arte oferece programação paralela com palestras, visitas guiadas, conversas com artistas e ativações em espaços da cidade, transformando São Paulo em um verdadeiro centro de arte e design durante os dias do evento. A feira é também uma oportunidade de valorização do colecionismo e de fomento ao mercado criativo.
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