Maior exposição de Bjork na Islândia

Batizada Echolalia, a mostra estreou no último sábado dentro da Galeria Nacional da Islândia, em Reykjavík, e reúne três instalações audiovisuais de grande escala, com prévia inédita da próxima faixa da cantora.

Uma das experiências culturais mais aguardadas do calendário europeu desse ano acaba de abrir as portas para o público. A maior exposição de Bjork na Islândia até hoje estreou no último sábado, dia 30 de maio, dentro da Galeria Nacional da Islândia, em Reykjavík, e ficará em cartaz até o dia 20 de setembro. A mostra leva o nome de Echolalia e é formada por três instalações audiovisuais de grande escala, todas com forte carga pessoal e construídas a partir da relação da própria artista com sua terra natal.

O coração da mostra está em duas peças sonoras dedicadas à mãe da artista, falecida em 2018. As composições Ancestress e Sorrowful Soil, que faziam parte do álbum Fossora lançado por Bjork em 2022, foram agora reimaginadas em escala teatral para a primeira aparição delas dentro do contexto de museu. Ancestress trata de luto e renovação, e ganhou versão visual com cenas de um vale remoto da Islândia, em uma meditação ritual que mistura paisagem cinematográfica com instrumentação densa. Sorrowful Soil aparece como peça imersiva de nove partes, com 30 canais de alto-falantes individuais transmitindo as vozes do coral islandês Hamrahlíð, em uma instalação desenvolvida em parceria com a fabricante finlandesa de áudio Genelec.

A terceira instalação carrega o gancho jornalístico mais imediato da mostra. Trata-se de uma peça inédita construída em cima de uma música que faz parte do novo álbum de estúdio da Bjork, ainda sem título ou data oficial de lançamento, mas confirmado para sair em 2027. A faixa, batizada Nerve Bloom, funciona como primeiro vislumbre público do próximo capítulo criativo da artista, que entrega o lançamento dentro de um pacote multissensorial montado especificamente para o espaço do museu. O som vem acompanhado de filme e tecnologia imersiva, e antecipa o que o público pode esperar do projeto musical de longa duração que ainda virá.

A maior exposição de Bjork na Islândia foi assinada pela própria cantora em parceria com a pintora Natalia Kleszczewska e a designer gráfica Natalie Liu, e levou sete meses para ser concluída. Bjork descreveu a função como direção criativa, com curadoria de paletas de cores, texturas e ambientes em que as músicas ganham corpo. Na galeria adjacente, o público encontra também a mostra paralela Metamorphlings, assinada pelo parceiro visual de longa data James Merry, e centrada em escultura, transformação e formas orgânicas trabalhadas à mão. A artista aparece nas imagens oficiais usando look da Bottega Veneta, dentro do diálogo entre moda e imagem em movimento que a casa italiana vem cultivando, e a parte técnica conta ainda com a Apple como parceira de realidade virtual e a dinamarquesa AIAIAI fornecendo a tecnologia de fones de ouvido distribuídos pela exposição.

Para acompanhar a abertura, Bjork ainda confirmou um evento paralelo com o mesmo nome do projeto: um rave de eclipse solar marcado para o dia 12 de agosto em Víðistaðatún, na cidade islandesa de Hafnarfjörður, com DJ set da própria artista e participações da musa eletrônica Arca, ao lado dos talentos locais Sideproject e Ronja Jóhannsdóttir. O evento vai contar com aproximadamente duas horas de eclipse e cerca de um minuto de totalidade absoluta, em que a lua bloqueia o sol completamente e o ambiente entra em escuridão. Para o leitor que acompanha a produção da cantora há tempos, a maior exposição de Bjork na Islândia funciona como balanço de um momento criativo em transição, com a artista plantando bandeira no próprio território antes de partir para o próximo grande capítulo do trabalho.

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