Onitsuka Tiger separa operações da ASICS

A marca japonesa de lifestyle será transferida para a OT Group, subsidiária integral com sede em Tóquio liderada pelo CEO Ryoji Shoda, em reorganização com efeito a partir de 1° de janeiro de 2027.

Uma das marcas de calçado mais quentes dos últimos anos acaba de ganhar estrutura própria. A Onitsuka Tiger separa operações da ASICS e passa a funcionar como entidade independente dentro de uma nova subsidiária integral chamada OT Group, com sede em Tóquio e efeito a partir de 1° de janeiro de 2027. A reorganização foi aprovada pelo conselho de diretores da ASICS e coloca a marca japonesa de moda e lifestyle sob o comando do CEO Ryoji Shoda, em uma operação que reconhece formalmente o que o mercado já sabia: a Onitsuka Tiger não é mais uma linha de produto dentro de um grupo de sportswear, é uma marca de luxo com vida própria.

O racional da separação é direto. A ASICS é uma empresa de performance esportiva, com foco em tecnologia de corrida e produto funcional, e a Onitsuka Tiger vem operando há anos em um registro completamente diferente, vendendo herança de design, estética e lifestyle em vez de inovação de desempenho. A separação das operações da ASICS permite que a OT Group tome decisões mais rápidas, construa competitividade sob medida para as características da marca e opere com a governança e a visibilidade de resultados que uma operação desse porte exige. A nova estrutura transforma a OT Group em sede global do negócio, com subsidiárias regionais responsáveis por vendas e manufatura passando a responder diretamente ao novo grupo.

Os números justificam a escala da decisão. A Onitsuka Tiger registrou vendas de 136,5 bilhões de ienes, o equivalente a aproximadamente 738 milhões de euros, no ano fiscal encerrado em dezembro de 2025, em um salto de 43% em relação ao ano anterior. A margem de lucro ficou próxima de 38%, a mais alta entre as cinco categorias do grupo ASICS. No primeiro trimestre de 2026, as vendas subiram mais 34%, para 37,8 bilhões de ienes. As ações da ASICS se valorizaram cerca de sete vezes nos últimos cinco anos, em grande parte puxadas pelo desempenho da Onitsuka Tiger, e o grupo inteiro está avaliado em aproximadamente 20 bilhões de dólares.

A história da marca começa em 1949, quando Kihachiro Onitsuka fundou a empresa em Kobe, no Japão, produzindo tênis de basquete. Em 1977, a Onitsuka Tiger se fundiu com a GTO e a JELENK para formar a ASICS, e o nome ficou adormecido por décadas até ser revivido em 2002 como linha de lifestyle e retro. O ponto de virada cultural veio quando Uma Thurman usou o modelo amarelo em Kill Bill, de Quentin Tarantino, em 2003, e desde então a marca vem subindo de patamar de forma consistente, posicionando-se hoje como operação de luxo com presença em aproximadamente 160 países, cerca de 190 lojas próprias e um quadro de aproximadamente 2.800 funcionários ao redor do mundo.

O CEO da ASICS, Yasuhito Hirota, declarou que não há planos de listar a OT Group em bolsa, e investidores leram o movimento como preparação para crescimento sustentável em vez de prelúdio de venda. Quando a Onitsuka Tiger separa operações da ASICS dessa forma, o que o mercado recebe é o reconhecimento oficial de que a marca saiu da categoria de nostalgia esportiva e entrou na categoria de moda de luxo de pleno direito. Para o leitor que acompanha o circuito de tênis e moda, essa é a confirmação de que a Onitsuka Tiger quer jogar na mesma mesa que as grandes maisons europeias, e que agora tem a estrutura corporativa para tentar.

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