A primeira tatuagem indolor da startup CipherX

No lugar da máquina que perfura a pele, um adesivo de microagulhas que se dissolve em 15 minutos. A promessa: doer menos que escovar o cabelo.

A primeira tatuagem indolor da startup CipherX
Foto: Divulgação/CipherX

A primeira tatuagem indolor comercial do mundo já é realidade, e ela dispensa a máquina que zumbe perto da pele. A startup britânica CipherX lançou em Londres, no dia 23 de julho, o que chama de Microdot Tattoo, um sistema que aplica um desenho permanente por meio de um adesivo de microagulhas em vez do tradicional aparelho de tatuagem. Depois de testar cerca de 500 tatuagens desse tipo, a empresa liberou a tecnologia comercialmente pela primeira vez, no bairro de Shoreditch. Quem já experimentou diz que dói menos do que escovar o cabelo.

O funcionamento é o que torna tudo tão diferente. Em vez de uma agulha elétrica que perfura repetidamente até a camada mais profunda da pele, o método usa um adesivo coberto por centenas de microagulhas feitas de uma combinação de tinta de tatuagem e um biopolímero. Um aplicador manual pressiona esse adesivo contra a pele num único movimento, cravando as microagulhas na camada superior. Elas então se dissolvem em contato com a umidade natural da pele, liberando a tinta no lugar certo. O adesivo fica no corpo por cerca de 15 minutos e depois é removido, sem exigir cuidados posteriores complexos.

A explicação para a ausência de dor está na escala. Ferdinand Kohle, cofundador e CEO da CipherX, é cientista de materiais com doutorado por Cornell e desenvolveu a ideia a partir do próprio medo de agulhas e sangue. Segundo ele, quando a agulha é reduzida a uma dimensão microscópica, suas propriedades mudam e a interação com a pele também. Como as microagulhas são muito menores que as convencionais, elas não penetram fundo o suficiente para tocar os receptores de dor, o que elimina a sensação de perfuração. Kohle compara o comportamento do material ao de um castelo de areia: rígido e firme até entrar em contato com a água, quando se desfaz e deposita o pigmento.

A primeira tatuagem indolor da startup CipherX
Foto: Divulgação/CipherX

O conceito por trás do desenho também é curioso e explica o nome. A tinta é organizada em microdots, pontos microscópicos que funcionam como pixels para formar a imagem, traduzindo desenhos digitais em tatuagens permanentes. Nos primeiros momentos após a remoção do adesivo, a marca pode parecer pálida, mas ela se aprofunda ao longo dos dois dias seguintes e vai se fundindo numa forma contínua. O lançamento começou com cerca de uma dúzia de designs simples, como carinhas e corações, e a proposta é que, no futuro, os adesivos possam ser desenhados e encomendados online.

O verdadeiro público-alvo dessa inovação, porém, é quem sempre ficou de fora. Ao criar a primeira tatuagem indolor, a CipherX mira justamente as pessoas que tinham medo ou impossibilidade de se tatuar, seja por fobia de agulha e sangue, seja por não suportar a dor do método tradicional. A empresa afirma ainda que sua tecnologia elimina o risco de cicatrizes e atende a padrões rígidos de higiene, embora oriente que pode haver vermelhidão temporária ou leve irritação. Pesquisas acadêmicas já exploravam microagulhas para tatuagem desde 2022, mas a CipherX é quem transformou o princípio em produto de consumo. Para uma das artes mais antigas da humanidade, que mal mudou em milhares de anos, é uma reinvenção e tanto.

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