O DJ por trás de “Nightcall”, eternizada no filme “Drive”, foi encontrado morto em casa, em Paris, poucos dias antes de completar 51 anos.

Kavinsky, um dos ícones da música eletrônica francesa, morreu aos 50 anos. O DJ e produtor, nome artístico de Vincent Belorgey, foi encontrado morto em sua casa em Paris na terça-feira, segundo informou o Ministério Público da capital francesa. A promotoria abriu uma investigação para determinar a causa da morte e afirmou que os primeiros socorristas não encontraram nenhum elemento suspeito no local. O jornal Le Figaro, citando as autoridades, levantou a possibilidade de um AVC, após relatos de que o artista vinha se queixando de dores de cabeça nos últimos dias.
A morte comoveu a França de imediato, do público às autoridades. O presidente Emmanuel Macron prestou homenagem nas redes, escrevendo que o artista seria para sempre motivo de orgulho francês. A ministra da Cultura, Catherine Pégard, afirmou que, com a partida repentina de Kavinsky, a França perdeu uma de suas vozes mais singulares, e disse que a música dele seguiria ressoando entre gerações e fronteiras. São reações que medem o tamanho de uma figura que, apesar de nunca ter buscado os holofotes, marcou uma cena inteira.
A trajetória dele é quase tão cinematográfica quanto a música que fez. Nascido em 1975, na região de Paris, Belorgey chegou à música relativamente tarde, depois de trabalhar como ator em filmes do amigo de longa data Quentin Dupieux. Inspirado por filmes de ação dos anos 1980, fliperamas e carros esportivos, ele criou a persona fictícia de Kavinsky: um motorista morto-vivo que teria voltado de um acidente fatal de Ferrari para produzir música eletrônica. Surgiu em meados dos anos 2000 pelo influente selo Record Makers, lançou os EPs “Teddy Boy”, “1986” e “Nightcall”, e chegou a abrir shows do Daft Punk e do Justice.

O ápice veio com uma faixa que ultrapassou em muito o nicho da eletrônica. Lançada em 2010 e produzida em parceria com Guy-Manuel de Homem-Christo, do Daft Punk, “Nightcall” ganhou fama mundial ao abrir os créditos de “Drive”, filme de 2011 dirigido por Nicolas Winding Refn e estrelado por Ryan Gosling. Com seu clima de synth-pop oitentista e a voz da brasileira Lovefoxxx, vocalista do CSS, a música virou clássico cult e definiu boa parte da estética synthwave que influenciaria uma geração inteira de produtores. Seu álbum de estreia, “OutRun”, de 2013, aprofundou esse universo retrofuturista, e o segundo e último disco, “Reborn”, saiu em 2022.
A relevância dele foi reafirmada num dos maiores palcos possíveis pouco antes da morte. Em 2024, Kavinsky se apresentou na cerimônia de encerramento dos Jogos Olímpicos de Paris, tocando uma nova versão de “Nightcall” ao lado da banda Phoenix e da cantora belga Angèle, numa celebração da música eletrônica francesa diante do mundo. No momento da morte, ele tinha shows marcados na França, no México e em Los Angeles para os próximos meses, além de uma apresentação prevista num festival em 8 de agosto. Quando Kavinsky morre aos 50 anos, dias antes de completar 51, o que fica é a prova de que ele conseguiu algo raro: transformar um personagem de ficção numa lenda real da música.









