A exposição O Mundo de Tarsila será a programação de estreia do Nubank Arte Lab, novo espaço de 2.700 metros quadrados dedicado a experiências culturais imersivas na Avenida Paulista, com abertura em agosto.

A obra de Tarsila do Amaral vai ganhar uma experiência imersiva inédita em um dos endereços mais icônicos de São Paulo. A exposição O Mundo de Tarsila será a programação de estreia do Nubank Arte Lab, novo espaço cultural de 2.700 metros quadrados que abre as portas em agosto dentro do Conjunto Nacional, na Avenida Paulista. A mostra vai ocupar mais de dez ambientes e utilizar recursos tecnológicos para traduzir o universo visual da artista modernista em experiência física para o visitante.
O Nubank Arte Lab é um projeto do banco digital brasileiro dedicado a experiências culturais imersivas. O espaço foi desenhado para receber exposições, instalações artísticas, eventos, palestras e projetos de diferentes segmentos da economia criativa, todos apoiados por camada tecnológica. A localização dentro do Conjunto Nacional, no coração da Avenida Paulista, posiciona o projeto no centro do circuito cultural mais movimentado da cidade, a poucos metros do MASP, do Itaú Cultural, do Japan House e do Instituto Moreira Salles, em uma vizinhança que concentra boa parte da agenda de arte contemporânea de São Paulo.
A escolha de Tarsila do Amaral como artista de estreia carrega um peso simbólico. O Mundo de Tarsila promete traduzir as pinturas, as cores e os temas da artista em ambientes imersivos que o público pode atravessar fisicamente, em um formato que vem se consolidando ao redor do mundo com experiências dedicadas a Van Gogh, Monet e Klimt, mas que aqui ganha recorte brasileiro. Mais de dez salas vão compor o percurso da exposição, cada uma construída ao redor de um aspecto diferente da produção da artista, e a expectativa é de que o projeto use projeções, som e cenografia para colocar o visitante dentro da paisagem visual que Tarsila criou ao longo de cinco décadas de trabalho.
Tarsila do Amaral nasceu em Capivari, no interior de São Paulo, em 1886, e se tornou uma das figuras mais determinantes da arte brasileira do século XX. Estudou em Paris com Fernand Léger, André Lhote e Albert Gleizes nos anos 1920, e trouxe de volta ao Brasil uma leitura de modernismo europeu que ela reprocessou com referências locais, inaugurando uma linguagem que não existia antes na arte do país. As telas mais conhecidas da artista, como Abaporu (1928), A Negra (1923) e Antropofagia (1929), estão entre as obras mais reproduzidas e reconhecíveis da história da arte latino-americana, e o Abaporu em particular é considerado uma das pinturas mais valiosas do continente. A presença dela no centro do movimento antropofágico ao lado de Oswald de Andrade e Mário de Andrade definiu boa parte do vocabulário cultural que o Brasil usa até hoje para pensar a própria identidade.
O Conjunto Nacional, projetado pelo arquiteto David Libeskind e inaugurado em 1958, é um dos marcos da arquitetura modernista de São Paulo e há décadas funciona como ponto de referência da Avenida Paulista. A chegada do Nubank Arte Lab ao edifício reforça a vocação cultural do endereço e adiciona um espaço de grande escala ao corredor que já concentra alguns dos principais equipamentos de arte da cidade. Para o leitor que acompanha a cena cultural paulistana, a abertura em agosto com Tarsila do Amaral no Conjunto Nacional é o tipo de estreia que merece marcar na agenda antes de qualquer outra coisa.
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