Diane von Furstenberg inicia uma nova fase com Henry Zankov, Rachel Scott avança na Proenza Schouler e Tommy Hilfiger revisita o preppy americano no Plaza Hotel.
A NYFW 2027 começou oficialmente em 10 de setembro com um calendário que já colocou três marcas conhecidas da moda americana em momentos importantes de suas trajetórias.
Diane von Furstenberg voltou ao calendário oficial da semana de moda de Nova York depois de quase uma década, agora sob a direção artística de Henry Zankov. Proenza Schouler apresentou a segunda coleção de passarela de Rachel Scott. Tommy Hilfiger retornou ao calendário com um desfile no Plaza Hotel, endereço que também faz parte da história pessoal do estilista.
As três apresentações trabalham códigos muito conhecidos de cada marca. Na DVF, o vestido transpassado continua como ponto de partida. Na Proenza, Rachel Scott revisita a PS1 e desenvolve uma silhueta mais segura. Tommy Hilfiger volta ao estilo preppy americano, desta vez sob o conceito “Plaza Prep”.
Diane von Furstenberg volta à NYFW com Henry Zankov
A coleção Diane von Furstenberg Primavera 2027 marcou o primeiro desfile da marca durante a New York Fashion Week em quase dez anos.
Também foi a estreia de Henry Zankov como diretor artístico da casa.
O designer já conhecia bem o universo da DVF. Trabalhou no estúdio da marca durante os anos 2010 e construiu posteriormente sua própria etiqueta, conhecida principalmente pelo uso de tricô, cor e padrões gráficos.
Sua primeira coleção parte de uma pergunta bastante direta: como trabalhar um dos vestidos mais reconhecidos da moda americana sem simplesmente repetir o modelo original?
O wrap dress continua como ponto de partida
A resposta começa pelo wrap dress, o vestido transpassado que Diane von Furstenberg tornou famoso nos anos 1970.
A construção funciona cruzando uma parte do vestido sobre a outra e ajustando a peça ao corpo com uma faixa na cintura. É simples de vestir, permite diferentes ajustes e se tornou um símbolo da marca.
Zankov abriu o desfile com uma versão em jersey com manchas de leopardo, próxima das peças que ajudaram a consolidar a imagem da DVF naquela década.
Depois, ele passou a trabalhar a ideia de envolver o corpo em outras formas.
Vestidos apareceram em jersey muito fino, com comportamento próximo ao chiffon. Outros usaram malha transparente estampada com xadrez gingham. A construção transpassada também foi aplicada a uma camiseta alongada e a uma peça inspirada nos cardigãs usados por bailarinas.
Ou seja, “wrap” deixa de indicar apenas um vestido específico e passa a funcionar como técnica dentro da coleção.
Cor e estampas entram na nova fase da DVF
Zankov também levou para a marca uma característica central de seu trabalho: combinações fortes de cores.
Ternos aparecem em tons intensos, enquanto florais diferentes são usados juntos em conjuntos de jaqueta e calça.
A alfaiataria é leve e pouco rígida.
Outra referência de arquivo aparece em uma estampa criada originalmente por Diane von Furstenberg a partir de etiquetas de roupas coladas umas sobre as outras. O desenho retorna em uma blusa com laço no pescoço e em uma saia plissada.
A estreia de Zankov deixa claro que o vestido transpassado continuará presente, mas não precisa limitar o restante do guarda-roupa da marca.
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Proenza Schouler Primavera 2027 mostra Rachel Scott mais segura
A Proenza Schouler Primavera 2027 foi a segunda coleção de passarela apresentada por Rachel Scott desde que ela assumiu a direção criativa da marca.
Scott chegou à Proenza depois da saída dos fundadores Jack McCollough e Lazaro Hernandez, que seguiram para a Loewe. Ela também continua à frente da Diotima, sua marca própria conhecida pelo uso de crochê e pela colaboração com artesãos jamaicanos.
Na avaliação da Vogue Runway, esta segunda coleção mostra uma designer mais confortável dentro da linguagem da Proenza Schouler.
A mulher de Nova York continua como referência
Rachel Scott explicou nos bastidores que observa a forma como mulheres se vestem em Nova York.
Sua atenção está especialmente na liberdade para usar peças tradicionalmente associadas à noite durante o dia, sem seguir códigos rígidos de ocasião.
Essa ideia aparece em vestidos de paetês usados com sandálias baixas e em silhuetas que misturam formalidade e praticidade.
Um vestido vermelho de paetês parte de um decote sem alças, cria volume na cintura e segue até os tornozelos.
Outro look preto trabalha a mesma ideia com duas peças: camiseta assimétrica e saia longa posicionada mais baixa no quadril.
Peplum, pregas e cintura marcada
A coleção também traz pences, pregas, listras curvas e peplums geométricos.
Peplum é o nome dado a uma extensão de tecido criada na região da cintura de blusas, vestidos ou casacos.
O recurso acrescenta volume ao redor do quadril e ajuda a marcar uma silhueta mais próxima da ampulheta.
Na coleção, Rachel Scott usa o peplum de forma estrutural, criando volumes limpos sobre saias e calças.
Os tricôs continuam presentes, um território bastante familiar para a designer por causa de seu trabalho na Diotima.
Também aparecem casacos e vestidos com zebra produzida em jacquard.
No jacquard, o desenho é criado durante a própria tecelagem do tecido. Ele não é simplesmente impresso sobre a superfície, o que costuma dar mais textura e profundidade ao padrão.
A PS1 volta como PS1 Walker
Um dos momentos mais importantes da coleção está nos acessórios.
A Proenza Schouler apresentou a PS1 Walker, nova versão da bolsa PS1 lançada originalmente em 2008.
A PS1 ganhou força no final dos anos 2000 como uma das chamadas It-bags: bolsas que atingem grande popularidade e passam a representar determinado momento da moda.
Sua construção lembra uma bolsa de mensageiro, com diversos bolsos, ferragens e uma aparência utilitária.
Rachel Scott trabalhou a nova versão com Reed Krakoff, designer que passou anos à frente da Coach e atualmente ocupa uma posição executiva ligada a acessórios na Gap Inc.
A PS1 Walker mantém o espírito da original, mas recebe couro mais macio, linhas curvas e uma frente visualmente mais limpa. O nome faz referência à Walker Street, onde funcionava o antigo estúdio da Proenza Schouler.
Tommy Hilfiger leva o preppy ao Plaza Hotel
Tommy Hilfiger apresentou sua coleção Primavera 2027 no The Plaza Hotel, em Nova York.
O endereço tem uma ligação pessoal com o estilista, que chegou a morar ali com sua família.
A coleção foi batizada de Plaza Prep e trabalha diretamente com um dos códigos mais conhecidos da Tommy Hilfiger: o estilo preppy americano.
O que significa estilo preppy?
Preppy vem de preparatory school, expressão usada para as tradicionais escolas preparatórias privadas dos Estados Unidos.
O estilo nasceu ligado ao guarda-roupa desses ambientes e das universidades da Ivy League.
Camisas Oxford, polos, blazers, calças chino, loafers, peças de rugby e referências náuticas fazem parte desse repertório.
Tommy Hilfiger construiu grande parte de sua identidade desde os anos 1980 trabalhando justamente com esses elementos, muitas vezes combinados à cultura pop, ao hip-hop e ao sportswear americano.
Na Primavera 2027, esse repertório aparece com novas proporções e cores.
Polo, rugby e Oxford ganham novas proporções
A paleta tradicional da marca — vermelho, branco e azul — aparece ao lado de amarelos e verdes mais intensos.
Vestidos inspirados em camisas de rugby recebem blocos de cor.
Camisas Oxford aparecem com listras, enquanto blazers e jaquetas de inspiração Ivy são apresentados com xadrez tartan.
Os polos alternam entre versões muito ajustadas e modelos oversized.
As calças chino aparecem transformadas em shorts muito curtos ou em versões com costuras levemente torcidas.
A Oxford shirt é uma camisa confeccionada tradicionalmente em tecido Oxford, conhecido por sua trama levemente texturizada e sua relação histórica com o guarda-roupa universitário americano.
Já o tartan é um padrão xadrez construído por linhas horizontais e verticais de diferentes cores, originalmente ligado a tradições escocesas e posteriormente incorporado por diversas correntes da moda.
Camurça e referências aos anos 1990
A coleção também utiliza camurça fina, seda, cashmere e bolsas maiores.
O famoso logotipo da bandeira Tommy aparece lavado e desbotado em alguns materiais.
Nos pés, sneakers de skate bicolores com desenho arredondado trazem referências aos anos 1990.
Boat shoes, penny loafers e slides de couro completam o repertório.
Gigi Hadid abriu o desfile, enquanto Romeo Beckham apresentou o último look.
No encerramento, Slayyyter fez uma apresentação surpresa no Plaza Hotel com as músicas “Unknown Loverz” e “Dance”.
Três marcas revisitam códigos conhecidos
O primeiro dia oficial da New York Fashion Week 2027, realizado em 10 de setembro, reuniu três coleções que trabalham diretamente com elementos históricos de suas marcas.
Na Diane von Furstenberg, Henry Zankov começa sua fase expandindo a ideia do vestido transpassado.
Rachel Scott segue consolidando sua linguagem na Proenza Schouler, com uma coleção mais segura e o retorno da PS1 em nova versão.
Tommy Hilfiger leva para o Plaza Hotel os códigos do preppy americano que acompanham a marca há quatro décadas.
Os detalhes ajudam a entender por que essas peças continuam aparecendo.
Um wrap dress na DVF carrega uma história específica. A PS1 representa um capítulo importante da Proenza Schouler dos anos 2000. Já polos, Oxford shirts e loafers fazem parte do vocabulário que Tommy Hilfiger usa desde a fundação da marca.
O que o primeiro dia mostrou
A abertura oficial da New York Fashion Week 2027 colocou arquivos e códigos conhecidos no centro da conversa.
DVF, Proenza Schouler e Tommy Hilfiger trabalharam com elementos que já fazem parte de suas histórias, mas cada uma chegou a esse repertório por um caminho diferente.
O ponto interessante está justamente nos detalhes: como um vestido é transpassado, como uma bolsa dos anos 2000 muda de construção ou como um polo clássico ganha outra proporção.
É esse tipo de leitura que ajuda a acompanhar uma semana de moda sem reduzir cada coleção a uma lista de tendências.
FOTOS: VOGUE RUNWAY
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