Stuart Vevers apresenta alfaiataria ampla, couro envelhecido, vestidos fluidos e referências à história da Coach em uma coleção marcada pela memória e por Nova York.
A Coach Primavera 2027 abriu as comemorações dos 85 anos da marca com um desfile realizado em Nova York no dia 9 de setembro, às vésperas da abertura oficial da New York Fashion Week. Stuart Vevers, diretor criativo da Coach desde 2013, apresentou uma coleção feminina formada por ternos amplos, trench coats, couro envelhecido, vestidos leves e acessórios que fazem referência à história da casa americana.
Fundada em Nova York em 1941, a Coach começou como uma pequena oficina de artigos de couro criada por seis artesãos. Bolsas continuam ocupando um espaço central na identidade da marca, mas o trabalho de Vevers ampliou significativamente o guarda-roupa da Coach nos últimos anos e aproximou a casa de uma geração mais jovem.
Na coleção Primavera 2027, essa história aparece ao lado de referências pessoais do designer.
Vevers partiu de lembranças relacionadas a festas, roupas antigas e momentos de sua própria vida. Entre as imagens usadas durante o processo criativo estavam Meg Ryan no filme Hanging Up, de 2000, usando um longo casaco cáqui, além de papéis de parede florais envelhecidos, balões e velas. O designer também mencionou o terno usado em seu casamento no City Hall de Nova York e o confete espalhado pelas ruas naquele dia.



Coach Primavera 2027 trabalha roupas com aparência usada
Os primeiros looks apresentaram uma alfaiataria de proporções amplas.
Calças longas e folgadas apareceram com blazers soltos, algumas vezes usados diretamente sobre o corpo ou combinados com tops curtos de couro e crochê aberto. Em outros momentos, o blazer era amarrado na cintura, deixando o look menos formal.
Cinza, cáqui e estampas florais desbotadas dominaram essa parte do desfile.
Os florais tinham aparência envelhecida, quase como tecidos que perderam parte da cor com o passar dos anos. A referência aos antigos papéis de parede presentes nos painéis de inspiração de Vevers aparece claramente nessa escolha.
Os trench coats seguiram a mesma direção. Alguns modelos foram construídos para parecer virados do avesso, deixando o forro aparente. As peças eram compridas, leves e usadas abertas sobre os ternos e vestidos.
O resultado está alinhado ao trabalho que Stuart Vevers vem desenvolvendo nas últimas temporadas da Coach. Na coleção Primavera 2026, por exemplo, o designer já havia explorado couro desgastado, alfaiataria em patchwork e roupas de trabalho com acabamento propositalmente usado.
Por que o couro envelhecido faz sentido na Coach?
A presença constante do couro tem uma ligação direta com a origem da marca.
A Coach nasceu produzindo artigos de couro e construiu boa parte de sua reputação em torno desse material. A própria história oficial da casa destaca o interesse por peças práticas, resistentes e pensadas para acompanhar a rotina.
Por isso, superfícies marcadas e acabamentos que parecem ter passado pelo tempo encontram espaço natural dentro das coleções atuais.
Na Coach Primavera 2027, jaquetas e acessórios de couro aparecem com textura menos uniforme e aspecto já amaciado. A aparência usada deixa o material mais próximo de uma peça pessoal do guarda-roupa do que de um objeto que acabou de sair da caixa.
Vestidos fluidos entram no desfile
A coleção não ficou concentrada apenas em ternos e casacos.
Vevers também apresentou vestidos leves cortados no viés, técnica em que o tecido é cortado na diagonal. Esse tipo de construção faz com que o material acompanhe melhor as curvas e tenha um movimento mais fluido quando a pessoa caminha.
Alguns vestidos receberam mangas de tricô, enquanto saias apareceram usadas sobre calças transparentes.
A explicação do corte no viés ajuda a entender por que essas peças têm uma aparência tão diferente dos ternos apresentados no início do desfile. O tecido cai de maneira mais solta sobre o corpo e cria movimento sem precisar de volume ou estrutura rígida.
Sneakers apareceram em muitos desses looks, reforçando o caráter casual da coleção.

Paetês e laços entram na parte final
O clima da coleção muda nos últimos looks.
Paetês tingidos aparecem em blazers e vestidos, enquanto grandes laços amassados surgem aplicados nas costas de algumas peças. Pequenos chapéus de festa e coroas usadas de forma desalinhada completam o styling.
A referência às comemorações de aniversário se torna mais evidente nesse momento.
Os elementos festivos continuam seguindo a aparência desgastada presente desde o início do desfile. Os laços não são perfeitamente estruturados, as superfícies permanecem amassadas e alguns acessórios parecem ter sido usados durante uma longa noite.
Essa escolha acompanha uma das ideias citadas por Vevers durante a apresentação da coleção: a forma como lembranças mudam com o tempo e nunca permanecem completamente exatas.
NOTA DA REDAÇÃO
O acabamento envelhecido visto no desfile é intencional e aparece em várias categorias da coleção. Couro marcado, tecidos desbotados e roupas amarrotadas fazem parte da linguagem que Stuart Vevers vem construindo na Coach nas últimas temporadas.
Bonnie Cashin ajuda a entender os acessórios
Os acessórios da Coach Primavera 2027 também recuperam capítulos importantes da história da marca.
Um dos destaques foi uma nova versão da Turnlock Tote baseada em um modelo dos anos 1970 criado por Bonnie Cashin.
Cashin entrou para a Coach em 1962 como a primeira designer principal da empresa e teve papel decisivo na construção da identidade visual das bolsas. Seu trabalho incorporava cores mais fortes, bolsos externos e ferragens inspiradas em objetos do cotidiano.
O chamado turn-lock é um desses elementos.
Trata-se de um pequeno fecho metálico giratório usado para abrir e fechar bolsas. O detalhe se tornou tão associado à Coach que continua aparecendo em diferentes modelos décadas depois.
Conhecer essa história ajuda a entender por que a nova Turnlock Tote tem importância dentro da coleção. A peça recupera uma solução criada nos primeiros anos em que a Coach começou a estabelecer uma linguagem própria de design.
Modelos mais recentes também receberam mudanças.
A Brooklyn Tote apareceu virada do avesso, deixando o bolso interno exposto. Já a bolsa Tabby ganhou novos bolsos e pequenos compartimentos externos.
São duas bolsas associadas à fase atual da Coach e à popularidade recente da marca entre consumidores mais jovens.
O desfile termina com orquestra, voguing e confetes
A comemoração dos 85 anos ganhou sua forma mais explícita no encerramento.
Durante a passagem final das modelos, as cortinas do espaço se abriram e revelaram uma jovem orquestra do Bronx. Performers de voguing entraram na passarela enquanto uma chuva de confetes cobria o cenário ao som de “Love Is the Message”.
O voguing é um estilo de dança desenvolvido dentro da cultura ballroom, principalmente entre comunidades LGBTQIA+ negras e latinas de Nova York. Sua presença no desfile reforça a ligação da Coach com a cidade onde a marca nasceu.
O encerramento também completou a narrativa iniciada nos primeiros looks: ternos amarrotados, lembranças de festas, roupas antigas e, finalmente, a própria celebração.
Coach completa 85 anos olhando para sua própria história
A Coach Primavera 2027 reúne diferentes momentos da trajetória da marca.
A tradição ligada ao couro continua presente. O trabalho de Bonnie Cashin reaparece nos acessórios. A fase atual comandada por Stuart Vevers surge nas proporções amplas, no styling jovem e nas peças com acabamento desgastado.
A coleção também mostra como o vestuário ganhou importância dentro da Coach nas últimas temporadas.
Ternos, trench coats, vestidos e tricôs dividem espaço com bolsas que carregam décadas de história da casa. A comemoração dos 85 anos encontra justamente aí seu ponto mais interessante: olhar para elementos antigos da Coach enquanto Stuart Vevers continua construindo o guarda-roupa atual da marca.
O desfile mostra com clareza o caminho que Stuart Vevers vem desenvolvendo na marca.
A história da Coach aparece em materiais e acessórios reconhecíveis, enquanto o vestuário segue uma direção voltada para proporções mais relaxadas e combinações fáceis de incorporar ao dia a dia.
Para uma coleção apresentada durante o aniversário de 85 anos, entender essas referências ajuda a enxergar detalhes que poderiam passar despercebidos. O couro envelhecido, o fecho turn-lock e até a construção das bolsas têm relação direta com capítulos importantes da história da marca.









