A nova mostra “Peter Knapp: The Era of Courrèges” coloca a maison francesa no centro de um diálogo entre fotografia, modernidade e legado cultural no sul da França.

A exposição Courrèges é uma daquelas notícias que ajudam a explicar por que a moda segue ampliando seu espaço dentro das instituições culturais. A Fondation Maeght, em Saint-Paul-de-Vence, confirmou a realização de “Peter Knapp: The Era of Courrèges”, mostra que entra em cartaz de 14 de maio a 1º de novembro de 2026 e marca a primeira exposição temática da fundação a unir arte e moda de forma direta.
Mais do que revisitar a trajetória da maison, a exposição Courrèges reposiciona o legado de André Courrèges dentro de um circuito mais amplo de imagem, arquitetura e comportamento. O projeto tem curadoria do fotógrafo Peter Knapp, figura próxima de Courrèges e da família Maeght, e parte justamente dessa memória vivida para reconstruir o impacto visual e cultural da marca nos anos 1960.
Ao colocar Fondation Maeght, Peter Knapp, moda e arte, André Courrèges e Saint-Paul-de-Vence em um mesmo eixo narrativo, a mostra aponta para um movimento maior: o da moda como linguagem de exposição, e não apenas como produto ou desfile.
Exposição Courrèges leva a maison para dentro da Fondation Maeght
A força da exposição Courrèges começa pelo contexto. A Fondation Maeght é uma das instituições mais emblemáticas da arte moderna e contemporânea na França, localizada em 623, Chemin des Gardettes, 06570 Saint-Paul-de-Vence, e hoje apresenta a mostra como um de seus destaques de programação. No site oficial, a fundação já lista “PETER KNAPP: THE ERA OF COURRÈGES” entre as próximas exposições.

Isso muda a escala da conversa. Quando uma casa como Courrèges entra em uma instituição desse porte, o olhar sai da lógica comercial e passa a analisar forma, imagem, ruptura estética e influência histórica. A exposição Courrèges não surge como simples homenagem de marca. Ela aparece como leitura curatorial de um momento em que a moda ajudou a redefinir a ideia de futuro.
Na prática, a mostra revisita a explosão criativa de 1965, ano em que André Courrèges apresentou uma coleção de alta-costura primavera-verão que rompeu com convenções e consolidou uma nova visão de silhueta. Minissaias, branco, formas estruturadas e um desenho quase arquitetônico do corpo feminino passaram a sintetizar essa virada.
Peter Knapp é a chave visual dessa narrativa
Se a exposição Courrèges tem um coração conceitual, ele passa por Peter Knapp. O fotógrafo acompanhou de perto aquele momento e registrou a ascensão da nova mulher Courrèges com linguagem visual própria. Segundo os materiais já divulgados sobre a mostra, a exposição se organiza em torno de imagens feitas por Knapp em 1965, incluindo uma série apresentada na edição de março daquele ano da revista ELLE.
Essas fotografias não apenas documentam roupas. Elas ajudam a construir a ideia de movimento, leveza e projeção futurista que se tornou inseparável da identidade de André Courrèges. Esse ponto é essencial porque reposiciona a moda dentro de um campo mais amplo de produção visual. Não se trata só de roupas icônicas, mas da forma como elas foram vistas, publicadas e absorvidas pelo imaginário coletivo.
A presença de Knapp também dá à exposição Courrèges uma camada de legitimidade histórica rara. Em vez de reconstrução distante, o visitante encontra um olhar de testemunha. É um tipo de curadoria que aproxima memória, documento e estilo em uma mesma experiência.
Moda e arte deixam de ser campos paralelos
A leitura mais interessante da exposição Courrèges talvez esteja justamente na quebra de fronteiras. A Fondation Maeght afirma que esta será sua primeira exposição temática misturando arte e moda, o que por si só já indica uma inflexão institucional relevante.
Esse tipo de aproximação não acontece por acaso. Nos últimos anos, fundações, museus e maisons passaram a trabalhar mais intensamente a moda como produção cultural, com ênfase em acervo, fotografia, arquitetura, performance e design expositivo. Courrèges se encaixa perfeitamente nesse debate porque sua linguagem sempre operou perto da arquitetura e da ideia de modernidade.
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Em outras palavras, a exposição Courrèges fala tanto sobre roupa quanto sobre visão de mundo. E isso ajuda a explicar por que a maison segue atual dentro do repertório contemporâneo.
Nota da redação
A mostra acontece em uma fundação que ganhou nova visibilidade internacional nos últimos anos, inclusive com renovação de espaço e reposicionamento de programação. Isso torna a exposição Courrèges ainda mais estratégica no calendário cultural de 2026.
Por que a exposição Courrèges importa em 2026
Em 2026, falar de moda e arte já não é tendência passageira. É infraestrutura simbólica do luxo. Marcas querem ocupar o debate cultural. Instituições querem atrair novos públicos. E exposições como essa funcionam como ponto de encontro entre esses dois movimentos.
No caso de Courrèges, existe ainda uma vantagem narrativa poderosa: o legado da marca nunca dependeu apenas de nostalgia. A obra de André Courrèges continua relevante porque antecipou códigos visuais que ainda hoje parecem atuais — limpeza gráfica, volumes precisos, sensação de futuro e recusa ao excesso. A exposição Courrèges reativa esses códigos no momento em que a indústria volta a valorizar clareza de forma, identidade forte e repertório histórico consistente.
Ao mesmo tempo, a escolha de Saint-Paul-de-Vence e da Fondation Maeght adiciona densidade ao projeto. O cenário não é neutro. Ele reforça a ideia de permanência, coleção e memória. A mostra não apresenta Courrèges como uma marca em busca de buzz, mas como parte de uma história visual maior.
A exposição Courrèges surge como um dos encontros mais interessantes entre moda, fotografia e instituição cultural em 2026. Ao reunir a Fondation Maeght, a curadoria de Peter Knapp e a herança de André Courrèges, a mostra reposiciona a maison em um território de relevância histórica e estética.
Para quem acompanha os cruzamentos entre luxo, imagem e repertório cultural, essa é uma pauta que vai além da agenda de exposições. É uma leitura sobre como a moda continua disputando espaço como linguagem de arte. Leia também outras notícias de moda, exposições e experiências imersivas que estão redefinindo o calendário internacional.
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