O Papa Leão XIV inaugurou a Torre de Jesus Cristo em missa solene no dia 10 de junho, centenário exato da morte de Antoni Gaudí, transformando o templo catalão na igreja mais alta do mundo.

Um dos projetos de construção mais longos da história da humanidade acaba de chegar ao fim simbólico. A Basílica Sagrada Família é concluída após 144 anos de obra em Barcelona, com a inauguração oficial da Torre de Jesus Cristo conduzida pelo Papa Leão XIV em uma missa solene no dia 10 de junho, exatamente 100 anos após a morte do arquiteto Antoni Gaudí. A cerimônia marca a finalização da última grande estrutura do templo e transforma a basílica catalã na igreja mais alta do mundo, com 172,5 metros de altura.
A cruz monumental de cerâmica que coroa a Torre de Jesus Cristo foi instalada em 20 de fevereiro de 2026, completando as 18 torres que formam o desenho original de Gaudí. A torre central, com seus 172,5 metros, supera a altura de qualquer outra igreja do planeta e redefine o horizonte de Barcelona, cidade que conviveu com os andaimes da Sagrada Família por mais de um século como parte integrante da paisagem urbana. A bênção papal formaliza uma conclusão que sete gerações de arquitetos-chefe trabalharam para entregar, em uma continuidade profissional sem paralelo na história da arquitetura ocidental.
Antoni Gaudí assumiu o projeto da Basílica Sagrada Família em 1883, um ano depois do início da obra, e dedicou os últimos 43 anos da vida à construção do templo, chegando ao ponto de morar no próprio canteiro e dormir sob a mesa do ateliê. Quando morreu em 1926, atropelado por um bonde em Barcelona aos 73 anos, apenas 15% da basílica estava erguida. A frase mais célebre dele sobre o ritmo da construção ficou como epitáfio involuntário da obra: meu cliente não tem pressa. Gaudí deixou maquetes, desenhos e instruções que as gerações seguintes interpretaram e adaptaram para dar continuidade ao trabalho, em um processo que atravessou guerras, crises econômicas e uma pandemia.

A lista de obstáculos que a construção enfrentou ao longo dos 144 anos é extensa. Durante a Guerra Civil Espanhola, anarquistas destruíram parte das maquetes e dos arquivos de Gaudí armazenados no ateliê da basílica. O financiamento dependeu inteiramente de doações privadas e receita de turismo, sem subsídio do Estado, e a pandemia de COVID-19 paralisou a obra por dois anos completos. Mesmo agora que a Basílica Sagrada Família é concluída em termos estruturais, trabalhos decorativos e não estruturais seguem em andamento, com a escadaria monumental da Fachada da Glória prevista para ser finalizada apenas entre 2034 e 2035, em um trecho que gera controvérsia por exigir a realocação de cerca de mil residências e comércios do entorno.
A Sagrada Família é Patrimônio Mundial da UNESCO e recebe milhões de visitantes por ano, gerando uma receita de turismo estimada em 150 milhões de euros anuais, cifra que alimenta tanto a manutenção do templo quanto a tensão crescente entre moradores locais e a indústria de turismo de massa de Barcelona. A inauguração da torre pelo Papa Leão XIV aconteceu sob protestos contra o overtourism e a crise habitacional da cidade, em um lembrete de que a grandeza arquitetônica e os desafios urbanos coexistem no mesmo endereço.
Se você gosta de arte, arquitetura e cultura, o dia 10 de junho de 2026 entra para o calendário como a data em que a Basílica Sagrada Família é concluída depois de 144 anos, no centenário exato da morte do homem que a imaginou, em um daqueles encontros entre tempo e visão que raramente acontecem fora da ficção.
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