Aos 10 anos, o designer fecha parceria com uma das lojas de tecidos mais conhecidas de Nova York e seleciona 16 materiais para a coleção.

Aos 10 anos, Max Alexander acrescentou uma nova etapa a uma carreira que já inclui passarelas internacionais, um recorde mundial e uma coleção apresentada em Paris. O jovem designer fechou uma parceria com a Mood Fabrics para lançar uma seleção de tecidos com foco em materiais considerados mais sustentáveis.
A colaboração reúne 16 tipos de tecido escolhidos por Alexander. Entre os materiais citados estão cotton voile, rayon challis, linho e faux fur, ampliando o trabalho do designer para além das roupas prontas e colocando sua curadoria diretamente na etapa de escolha da matéria-prima.
A Mood Fabrics é uma referência frequente no universo da costura e também já fazia parte da rotina do designer. Eric Sauma, proprietário da empresa, afirmou à WWD que Alexander é fã da loja há bastante tempo e que a admiração também existe do outro lado.
Max Alexander leva sua assinatura para os tecidos
A parceria muda um pouco a posição de Max Alexander dentro da cadeia da moda. Em vez de trabalhar apenas com tecidos encontrados, recuperados ou adquiridos para suas próprias coleções, o designer passa a assinar uma seleção que também poderá servir como matéria-prima para outros projetos.
A coleção possui 16 opções e trabalha com características diferentes de peso, textura e caimento. O cotton voile, por exemplo, é um tecido leve, enquanto o rayon challis é conhecido pelo movimento e pelo caimento mais fluido. O linho entra como uma fibra natural, enquanto o faux fur oferece textura sem utilizar pele animal.
Essa variedade permite usos bastante diferentes. Tecidos leves podem funcionar em vestidos, blusas e peças com volume mais suave. Materiais estruturados abrem espaço para alfaiataria e casacos, enquanto superfícies mais texturizadas podem aparecer em detalhes, acessórios ou peças de maior impacto visual.
A proposta também aproxima um público interessado em costura e desenvolvimento independente de uma discussão que normalmente acontece dentro das grandes marcas: qual material escolher antes mesmo de pensar no desenho final.
Quem é Max Alexander?
A idade chama atenção, mas a trajetória já é relativamente longa. Max Alexander começou a costurar ainda criança e, aos sete anos, teve trabalhos apresentados na Denver Fashion Week. Ele posteriormente recebeu do Guinness World Records o título de designer de passarela mais jovem do mundo.
Em março de 2026, apresentou uma coleção feminina de 15 looks no Palais Garnier durante a Paris Fashion Week. A apresentação levou para a passarela uma mistura de materiais reaproveitados, tecidos excedentes e soluções pensadas para reduzir desperdício.
Segundo o próprio designer, cerca de 90% daquela coleção utilizava materiais biodegradáveis, recicláveis, sustentáveis, deadstock ou excedentes de produção.
Deadstock é o nome usado para tecidos que permaneceram sem utilização após uma produção ou que ficaram parados no estoque de fabricantes e fornecedores. Em vez de produzir uma nova matéria-prima, designers podem incorporar esses materiais a novas peças.
No caso de Alexander, o reaproveitamento não fica limitado ao deadstock tradicional.
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Sustentabilidade faz parte das coleções de Max Alexander
Sacarias de café, saris antigos, uma bolsa de luxo reaproveitada e até um paraquedas militar vintage já foram transformados em roupas pelo designer.
Uma de suas séries, chamada Grounds for Change, utilizou sacos descartados de café como matéria-prima para peças de moda. O projeto trabalhou inclusive com pigmentos naturais e materiais recuperados.
O interesse por esse tipo de construção também aparece fora da passarela. Em entrevista anterior, Alexander defendeu roupas de melhor qualidade, capazes de permanecer no guarda-roupa durante mais tempo e até serem passadas para outras pessoas.
Sua primeira peça ready-to-wear, por exemplo, foi desenvolvida em seda Chirimen tradicional japonesa e possui forro de cupro, fibra produzida a partir do línter de algodão. A marca também trabalha com produção sob demanda em alguns produtos.
Tecidos sustentáveis não são todos iguais
A palavra “sustentável” cobre materiais e processos bastante diferentes.
Um tecido pode ter origem natural, utilizar matéria-prima reaproveitada, aproveitar excedentes de produção ou ser desenvolvido para durar mais tempo. Cada uma dessas características responde a uma parte diferente da discussão ambiental da indústria.
Por isso, o material precisa ser analisado individualmente. Fibra, fabricação, tingimento, durabilidade, possibilidade de reciclagem e destino da peça depois do uso fazem diferença.
A própria indústria continua discutindo como transformar inovação de materiais em produção de maior escala. Entre os temas recentes abordados pelo setor estão algodão regenerativo, fibras de base biológica, novas opções sintéticas e alternativas desenvolvidas para reduzir resíduos.
De consumidor de tecidos a parceiro da Mood
Para Max Alexander, a colaboração também tem um componente bastante direto. Mood Fabrics já era uma loja conhecida pelo jovem estilista antes do acordo.
A parceria transforma essa relação em produto. Agora, a escolha dos tecidos — uma das etapas mais básicas e importantes de qualquer coleção — passa a carregar o nome do designer.
A novidade chega no mesmo ano em que Alexander apresentou sua primeira coleção em Paris e teve sua trajetória retratada no documentário Couture to the Max, exibido no Tribeca Festival.
A coleção com a Mood Fabrics amplia esse trabalho sem abandonar uma característica que aparece desde os primeiros projetos: experimentar materiais e tentar descobrir o que ainda pode ser feito com eles.
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