Chanel financia a renovação de cinema histórico em Paris

A maison francesa é a parceira principal do projeto que reabriu o cinema Saint-Germain-des-Prés, sala de 208 lugares na margem esquerda do Sena fechada há mais de uma década, com gala de inauguração apresentada pelo diretor do Festival de Cannes.

A Chanel acaba de colocar o próprio nome por trás de um dos gestos culturais mais significativos do circuito cinematográfico parisiense dos últimos anos. A maison francesa é a parceira principal do projeto que reabriu o cinema Saint-Germain-des-Prés, sala de 208 lugares na margem esquerda do Sena que estava fechada ao público há mais de uma década. A Chanel financia a renovação de cinema histórico em Paris que já recebeu estreias de François Truffaut, Éric Rohmer e Costa-Gavras, e que agora reabre como espaço permanente dedicado ao cinema autoral, ao repertório e ao encontro entre cineastas e público.

O endereço no número 22 da rue Guillaume-Apollinaire carrega peso na história do cinema francês. Conhecido primeiro como Bilboquet e depois como Olympic Saint-Germain, o cinema histórico em Paris foi palco de momentos que ajudaram a definir a cinefilia francesa do pós-guerra. O thriller político Z, de Costa-Gavras, ficou em cartaz ali por 20 semanas consecutivas após o lançamento de 1969, e a sala funcionou durante décadas como ponto de passagem para o circuito de cinema independente que deu identidade cultural ao bairro de Saint-Germain-des-Prés, um dos endereços mais emblemáticos da vida intelectual parisiense.

A reabertura aconteceu na semana passada com uma sessão de gala do filme Fatherland, de Paweł Pawlikowski, que havia sido apresentado na competição oficial do Festival de Cannes. O diretor do festival, Thierry Frémaux, introduziu a sessão e descreveu o filme como cheio de beleza, força e elevação intelectual. Na plateia, o presidente do CNC, Gaëtan Bruel, aproveitou a ocasião para defender publicamente o modelo francês de financiamento ao cinema, apresentando números que mostravam alta de 20% nas admissões nos cinco primeiros meses do ano e participação de filmes franceses em 44% do mercado doméstico. No dia seguinte, o cinema recebeu a exibição de Roma Elastica, de Bertrand Mandico, com Marion Cotillard presente na plateia ao lado do diretor.

O projeto de reabertura foi conduzido por uma coalizão incomum de figuras do cinema, dos negócios e do mundo editorial francês. O produtor Charles Gillibert, que chegou ao evento direto de Cannes onde apresentou o filme Minotaur de Andrey Zvyagintsev, vencedor do Grande Prêmio, lidera ao lado do banqueiro de investimento Grégoire Chertok. Entre os demais sócios aparecem Éric Lenoir, diretor de publicação do Cahiers du Cinéma e presidente do cinema, e Jean-Sébastien Decaux, filho mais novo do magnata de mídia exterior Jean-Claude Decaux.

A diretora-geral do espaço, Mathilde Lamour, posicionou a sala como uma casa para todos os cinemas, com programação que inclui cinema autoral contemporâneo, sessões de repertório, retrospectivas, conversas com cineastas e eventos de festivais, dentro de um projeto que a Chanel financia como parceira líder.

A Chanel financia a renovação do cinema como extensão de um compromisso de longa data com o mundo do cinema que inclui parcerias de produção, projetos de restauração de filmes e apoio a festivais como o Biarritz Nouvelles Vagues, na França.Para você que gosta de acompanhar moda, luxo e cultura, o gesto da maison é o tipo de investimento que não gera produto à venda, mas reforça a posição da marca como patrona das artes em um momento em que o modelo cultural francês está sob pressão política interna. Bruel resumiu a noite com uma frase que circulou nos dias seguintes: se há uma crise no cinema, talvez ela esteja do outro lado do Atlântico. O cinema histórico em Paris que a Chanel ajudou a reabrir é, no fim, uma resposta concreta a essa provocação.

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