Marie-Adam Leenaerdt vence o prêmio Andam 2026

A estilista belga voltou dois anos depois de ser finalista, e a segunda tentativa provou por que a espera valeu a pena.

Marie-Adam Leenaerdt vence o prêmio Andam 2026
Foto: Cortesia/Divulgação

Marie Adam-Leenaerdt venceu o prêmio ANDAM 2026, o mais importante concurso de talentos da moda francesa, em cerimônia realizada na noite de quarta-feira nos jardins do Palais-Royal, em Paris. A designer belga levou o Grand Prix e os 300 mil euros que vêm junto, além de um ano de mentoria com Alexandre Mattiussi, fundador da Ami Paris e presidente do júri desta edição. “Este é o primeiro dia do resto da minha vida”, disse ela ao receber o troféu. A frase soa grandiosa, mas faz sentido quando você entende o caminho que a trouxe até ali.

Porque a parte mais interessante da vitória não é a vitória em si, é o que veio antes dela. Adam-Leenaerdt já tinha sido finalista do ANDAM em 2024 e não levou. Em vez de insistir na sequência, ela escolheu recuar. “Eu não voltei logo porque precisava de tempo para crescer”, explicou. “Precisava de tempo para construir uma base e entender melhor minha cliente e o que ela procura.” É o oposto da pressa que costuma definir a carreira de estilista jovem, e o júri recompensou justamente essa maturidade.

Formada pela La Cambre Mode(s), em Bruxelas, ela passou por Givenchy e Balenciaga antes de abrir a própria marca em 2023, no mesmo ano em que entrou no calendário oficial de Paris. Seu trabalho gira em torno da ideia de reinterpretar objetos do cotidiano, com uma mulher específica em mente: alguém que busca algo chique, sem esforço aparente e com identidade própria. Os 300 mil euros do prêmio ANDAM 2026 vão para expandir a equipe, especialmente na área comercial e de atacado, além de produção e um assistente de design. É uma resposta prática, não um discurso inflado sobre visão.

E é aí que o ANDAM se diferencia de outros prêmios do tipo. Criado em 1989 por Nathalie Dufour, com Pierre Bergé como primeiro presidente, ele já lançou nomes como Viktor & Rolf, Christophe Lemaire e Marine Serre. A lógica nunca foi premiar apenas a coleção mais bonita da temporada, e sim apostar em quem tem potencial real de virar uma casa sustentável. Adam-Leenaerdt derrotou finalistas como EgonLab, Zomer e Fidan Novruzova exatamente por encaixar nessa conta.

Ela não foi a única a sair de mãos cheias. Pauline Dujancourt, designer francesa baseada em Londres e especialista em tricô, levou o Special Prize de 100 mil euros. Anthony Calydon ficou com o Pierre Bergé Prize, e a marca Phileo, de Philéo Landowski, venceu na categoria de acessórios, cada um também com 100 mil euros. Somados, foram 700 mil euros distribuídos, o maior valor da história do prêmio. Mas o nome que fica dessa edição é o de Marie Adam-Leenaerdt, que provou que às vezes a melhor estratégia é saber esperar a hora certa.

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