“John Galliano: Horizons” abriria o Met Gala 2027 em maio, mas foi derrubada após semanas de pressão de doadores, lideranças judaicas e do poder público de Nova York.

O Metropolitan Museum of Art cancelou a retrospectiva de John Galliano que abriria o Met Gala 2027. A decisão foi anunciada nesta segunda-feira, 31 de agosto, e encerra semanas de disputa pública em torno de uma das exposições mais polêmicas já anunciadas pelo Costume Institute. “John Galliano: Horizons” tinha temporada marcada de 9 de maio de 2027 a 9 de janeiro de 2028 e faria do estilista britânico apenas o terceiro designer vivo a ganhar uma individual na instituição.
A mostra nunca teve a pretensão de ignorar o passado do estilista. O texto de apresentação divulgado pelo museu prometia tratar diretamente da ruptura causada pela conduta antissemita, racista e antiasiática de Galliano entre 2010 e 2011, que resultou na demissão da Dior e da própria marca dele, além de uma condenação em tribunal parisiense por insultos públicos baseados em raça, religião, etnia ou origem. A exposição também abordaria o tratamento contra dependência química e o reconhecimento público que o designer fez posteriormente. A proposta declarada era discutir como realização artística e responsabilidade ética podem ser lidas lado a lado.
A tentativa de equilíbrio não segurou a reação. Segundo o The New York Times, doadores ameaçaram retirar contribuições ao museu caso a mostra seguisse em frente. A presidente da Câmara Municipal de Nova York, Julie Menin, uma das autoridades judaicas mais graduadas do governo municipal, foi das vozes mais insistentes contra o projeto e declarou estar satisfeita com a decisão de não homenagear Galliano. O Met havia conversado com lideranças da comunidade judaica antes mesmo de anunciar a exposição, prevendo o desgaste, mas a pressão só cresceu depois do anúncio.
As declarações oficiais tentaram costurar uma saída conjunta. Max Hollein, diretor e CEO do museu, disse que a decisão de não prosseguir foi tomada em conjunto com o estilista. Andrew Bolton, curador-chefe do Costume Institute, afirmou acreditar na responsabilidade dos museus de examinar histórias difíceis com rigor e cuidado, mas reconheceu a dor e a preocupação que a exposição causou. Anna Wintour, que apadrinhou Galliano por mais de uma década e empurrou o projeto internamente, não recuou: classificou a decisão dele de recuar como corajosa e disse que tanto o designer quanto o museu têm seu apoio integral. O próprio Galliano declarou seguir integralmente responsável pela dor causada por suas palavras, em especial às comunidades judaica e asiática, e disse não querer que o debate em torno de si coloque o Met em posição difícil.
Fica em aberto o que ocupa o lugar. O museu informou que anunciará em outra ocasião a nova exposição de primavera do Costume Institute e o tema do Met Gala 2027, o que joga no ar o evento mais visível do calendário da moda a menos de nove meses da data. Galliano, por sua vez, iniciou recentemente uma parceria criativa de dois anos com a Zara.









