Piano de Freddie Mercury vai a leilão por até US$ 528 mil

Yamaha C3 usado pelo vocalista do Queen em gravações históricas lidera coleção com 81 itens preservados pelo produtor Reinhold Mack.

Piano de Freddie Mercury vai a leilão em Londres
Divulgação: Propstore

Um dos instrumentos ligados diretamente ao processo criativo de Freddie Mercury será colocado em leilão em Londres. O piano de Freddie Mercury, um Yamaha C3 utilizado durante as sessões no Musicland Studios, em Munique, aparece como principal destaque da Reinhold Mack Collection, conjunto formado por 81 itens relacionados ao vocalista e ao Queen.

O instrumento foi usado por Mercury tanto em trabalhos solo quanto durante gravações de diferentes fases da banda britânica. Entre os discos associados às sessões realizadas no estúdio alemão estão The Game, Hot Space e The Works. A estimativa divulgada pela Propstore indica que o piano pode alcançar até US$ 528 mil no leilão.

Mais do que uma peça de colecionador, o objeto representa um recorte do processo criativo de uma das figuras mais importantes da música popular do século XX. A venda também ajuda a mostrar como instrumentos, letras manuscritas e equipamentos de estúdio estão ganhando espaço cada vez maior dentro do mercado de memorabilia musical.

Reprodução/ Internet

A história do piano de Freddie Mercury

O Yamaha C3 foi utilizado por Freddie Mercury durante o período em que o Queen trabalhava no Musicland Studios, em Munique. O estúdio teve papel relevante na produção musical europeia das décadas de 1970 e 1980 e recebeu artistas como Rolling Stones, Led Zeppelin e Black Sabbath.

Foi nesse ambiente que Mercury trabalhou em diferentes composições e gravações. Segundo as informações divulgadas sobre o leilão, o instrumento esteve relacionado à criação de músicas do Queen, incluindo “Crazy Little Thing Called Love”.

O piano também esteve presente em sessões de material solo do cantor. Essa ligação direta com diferentes momentos de sua produção aumenta o valor histórico do instrumento, sobretudo porque ele não representa apenas uma peça pertencente ao artista, mas uma ferramenta efetivamente utilizada dentro do estúdio.

Objetos desse tipo ocupam uma categoria específica dentro do mercado de memorabilia. Enquanto roupas, fotografias e itens pessoais ajudam a contar a trajetória de um artista, instrumentos e equipamentos podem estar diretamente associados à criação das obras que marcaram sua carreira.

Por que instrumentos históricos alcançam valores tão altos?

No universo dos leilões musicais, a procedência costuma ser um dos fatores mais relevantes. Um instrumento que pode ser conectado a determinada gravação, turnê ou composição ganha um significado diferente de um objeto simplesmente pertencente a uma personalidade.

No caso do piano de Freddie Mercury, a ligação com o Musicland Studios e com discos importantes do Queen ajuda a explicar a estimativa elevada.

Existe ainda um componente cultural. Artistas como Mercury ultrapassaram a própria discografia e se tornaram referências visuais, comportamentais e históricas. Por isso, objetos associados ao seu processo criativo acabam disputados não apenas por fãs, mas também por colecionadores especializados e instituições.

Reinhold Mack Collection reúne 81 itens

O piano faz parte da Reinhold Mack Collection, arquivo formado por 81 lotes preservados durante décadas pelo produtor Reinhold Mack e por sua família. Mack teve uma longa relação profissional com o Queen e participou da produção de diferentes trabalhos da banda.

Segundo o relato reproduzido pela Hypebeast, o produtor considerava Freddie Mercury parte da própria família. O cantor também frequentava a casa de Mack em Munique, onde encontrava um espaço mais reservado em meio à intensa exposição pública provocada pela fama.

A coleção permaneceu guardada principalmente por seu valor afetivo, de acordo com o produtor, e não como investimento financeiro. Agora, parte desse arquivo pessoal entra no mercado pela primeira vez.

Entre os itens disponíveis está um microfone AKG C414 EB utilizado nas gravações de vocais principais e backing vocals de Mercury. A estimativa máxima informada para a peça chega a US$ 105,6 mil.

Também fazem parte da venda letras manuscritas originais relacionadas ao início da carreira solo do cantor, incluindo materiais de “My Love Is Dangerous” e “Let’s Turn It On”.

O valor de uma memorabilia musical não está necessariamente relacionado apenas à raridade física do objeto. Documentação de procedência, ligação comprovada com gravações importantes e relevância cultural do artista são fatores determinantes nesse mercado.

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Memorabilia musical vira arquivo da cultura pop

O interesse crescente por objetos ligados a grandes nomes da música mostra uma mudança na forma como a cultura pop preserva sua própria história.

Instrumentos, figurinos, manuscritos e equipamentos de gravação deixaram de ser vistos apenas como curiosidades de fãs. Muitos passaram a ser tratados como documentos físicos de períodos específicos da produção cultural.

No caso do Queen, esses objetos ajudam a reconstruir detalhes que nem sempre aparecem em discos, fotografias promocionais ou apresentações ao vivo.

Um microfone de estúdio, por exemplo, permite observar aspectos do processo de gravação. Uma letra manuscrita registra alterações, ideias e decisões anteriores à versão final de determinada composição. Já o piano de Freddie Mercury conecta diretamente o objeto ao momento em que uma música estava sendo construída.

Essa combinação entre história, cultura e colecionismo explica por que grandes leilões passaram a dedicar catálogos completos à música.

A estimativa é que o conjunto mais amplo de memorabilia presente na venda arrecade aproximadamente US$ 4 milhões.

Um objeto que registra um momento da história do Queen

O piano de Freddie Mercury chega ao leilão carregando algo que vai além de sua função como instrumento musical.

Sua presença no Musicland Studios coloca a peça dentro de um período decisivo da trajetória do Queen, quando a banda experimentava diferentes linguagens e consolidava sua posição entre os maiores nomes da música internacional.

Ao lado de letras, microfones e arquivos preservados por Reinhold Mack, o Yamaha C3 oferece uma visão mais próxima do ambiente em que algumas dessas músicas foram desenvolvidas.

O leilão transforma esses objetos privados em parte de uma narrativa pública sobre criação, memória e cultura pop — e reforça como os bastidores da música também podem se tornar documentos históricos.

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