Apple retoma o posto de empresa mais valiosa do mundo

A dona do iPhone ultrapassou a Nvidia com US$ 4,94 trilhões, à véspera da última reunião de resultados de Tim Cook como CEO.

Apple retoma o posto de empresa mais valiosa do mundo
Foto: Reprodução/Apple

A Apple retoma o posto de empresa mais valiosa do mundo, superando a Nvidia numa virada que diz muito sobre o humor atual do mercado. Na segunda-feira, 27 de julho, as ações da dona do iPhone subiram mais de 1%, elevando seu valor de mercado a cerca de US$ 4,94 trilhões, contra os US$ 4,83 trilhões da fabricante de chips. É a primeira vez que a Apple reconquista a liderança desde abril de 2025, quando havia perdido o topo justamente para a Nvidia, símbolo maior da corrida da inteligência artificial.

O que explica a reviravolta não é um produto novo, e sim uma mudança de mentalidade entre os investidores. Durante boa parte dos últimos anos, a Apple foi criticada por ficar de fora da disputa da IA, gastando bem menos que rivais em modelos e infraestrutura. Agora, esse mesmo comportamento virou trunfo. Enquanto empresas como Nvidia e Alphabet despejam bilhões em data centers e chips, o mercado começou a temer que esse gasto não gere retorno rápido o suficiente, e passou a valorizar quem tem receita mais previsível. Não à toa, as despesas de capital da Apple caíram nos últimos três trimestres, em vez de subir.

O estopim da queda da Nvidia foi simbólico. As ações da empresa recuaram cerca de 5% logo depois de ela anunciar uma garantia de financiamento de US$ 250 bilhões para um enorme data center da OpenAI em Ohio. Um ano atrás, uma notícia dessas teria disparado o papel; desta vez, os investidores venderam. É a prova de que a euforia com gastos em IA esfriou. Ainda assim, a própria fabricante de chips está longe de ameaçada, já que seus processadores seguem movendo a maior parte do treinamento de modelos de IA no mundo, e a mudança apenas mostra que a liderança do mercado voltou a ser disputada.

Apple retoma o posto de empresa mais valiosa do mundo
Foto: Reprodução/Apple

Quando a Apple retoma o título de mais valiosa do mundo, o timing torna tudo ainda mais simbólico. A conquista chega às vésperas de uma transição histórica no comando da empresa. Tim Cook deixa o cargo de CEO em 1º de setembro, passando o bastão para John Ternus, atual chefe de engenharia de hardware, e a reunião de resultados desta quinta-feira, 30 de julho, será a última de Cook no posto. Ele assumiu uma Apple avaliada em cerca de US$ 349 bilhões em 2011, quando sucedeu Steve Jobs, e a transformou na primeira empresa a cruzar as marcas de 1, 2 e 3 trilhões de dólares. Recuperar a coroa agora encerra sua gestão num tom positivo.

Para os próximos capítulos, o mercado já olha adiante. Ternus indicou que pretende manter a disciplina financeira que definiu a era Cook, e a próxima meta simbólica é clara: cruzar a barreira dos US$ 5 trilhões, patamar que a Nvidia chegou a alcançar brevemente em outubro. A Apple não está sem desafios, já que aumentos recentes de preço em Macs e iPads, motivados pela escassez global de memória, podem pesar em mercados sensíveis a valor. Mas por ora, ao ver a Apple retomar o posto de empresa mais valiosa do mundo, Wall Street parece estar fazendo uma aposta simples: em tempos de incerteza sobre a IA, a mão mais firme vence.

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