NK e Working Title entram para as melhores lojas do mundo

A Business of Fashion incluiu duas multimarcas brasileiras em sua lista de varejistas independentes mais marcantes do planeta, ao lado de nomes históricos.

NK e Working Title entram para as melhores lojas do mundo
Foto: Reprodução

NK e Working Title entraram para a lista das melhores lojas do mundo, e o feito coloca o varejo de moda brasileiro num lugar que ele raramente ocupa. As duas multimarcas nacionais foram selecionadas pela Business of Fashion, a mais influente publicação do setor, em seu guia dos varejistas independentes com as curadorias e experiências mais distintivas do planeta. A lista é montada à mão pelos editores da BoF e reúne endereços cultuados de diferentes continentes, então ver dois nomes brasileiros nela não é detalhe pequeno, é reconhecimento de peso.

O critério da seleção ajuda a entender o valor da conquista. A BoF não mede tamanho de operação nem faturamento, e sim aquilo que chama de edições e experiências mais marcantes, ou seja, a força da curadoria, a identidade do espaço e o modo como cada loja transforma a compra em algo além da transação. É um olhar que privilegia autoria e ponto de vista, justamente o terreno em que as melhores multimarcas se diferenciam das redes tradicionais. Estar nessa lista significa ser lido como referência de gosto, não apenas de venda.

A NK carrega uma trajetória que sustenta o reconhecimento. Fundada por Natalie Klein em 1997, em São Paulo, quando ela tinha apenas 21 anos, a marca se destacou desde cedo pela curadoria minuciosa de grifes internacionais e por um chique despojado que a diferenciava das demais boutiques do país. Ao longo dos anos, a casa cresceu, abriu lojas físicas experimentais que provocam o varejo tradicional e se firmou como porta de entrada de marcas estrangeiras no Brasil, sendo a primeira a trazer nomes como Jacquemus e JW Anderson para o mercado nacional. Hoje, define a si mesma como uma casa de moda do mundo nascida no Brasil.

A Working Title, mais jovem, representa a nova geração dessa mesma vocação. Criada em 2018 pelo empresário Thiago Guskuma, que morou na Alemanha e no Canadá antes de fundar o negócio, a loja construiu sua reputação em cima de uma curadoria exclusiva de marcas nacionais e internacionais que celebram cultura e diversidade, unidas pelo respeito ao design de qualidade. Antes de montar a própria operação, ele já havia ajudado a introduzir marcas de moda no mercado norte-americano, trabalhando com gigantes como SSENSE e Saks Fifth Avenue. Essa bagagem internacional se traduz num olhar afinado com o que acontece lá fora.

No fim, quando a NK e a Working Title entram para as melhores lojas do mundo, o recado ultrapassa as duas marcas. É a prova de que o varejo de moda brasileiro atingiu um nível de curadoria e experiência capaz de dialogar de igual para igual com endereços históricos de Nova York, Paris ou Tóquio. Num setor que costuma tratar o Brasil como mercado consumidor, e não como referência criativa, ver duas casas nacionais reconhecidas por sua visão é uma virada simbólica. O borogodó brasileiro, como a própria NK gosta de dizer, finalmente aparece no mapa do luxo global pela porta da frente.

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