Vendas da Chanel crescem 16% no primeiro semestre

Puxada pelo fenômeno “Blazymania”, a maison driblou a desaceleração do setor e deixou rivais como LVMH e Kering comendo poeira.

Vendas da Chanel crescem 16% no primeiro semestre
Foto: Reprodução

As vendas da Chanel cresceram cerca de 16% no primeiro semestre de 2026, num salto que colocou a maison bem à frente do resto do luxo. A informação foi revelada pela Bloomberg, que citou uma fonte próxima ao desempenho da empresa, e o motor por trás do número tem nome e sobrenome: Matthieu Blazy. As primeiras coleções do estilista, que chegaram às lojas em março, provocaram um fenômeno que o mercado já apelidou de “Blazymania”, com filas de horas nas butiques e uma enxurrada de unboxings nas redes sociais. Para uma casa que só divulga resultados uma vez por ano, o vazamento desse número foi tratado como uma quebra inédita de sigilo.

O contraste com os concorrentes é o que dá dimensão real ao feito. Enquanto a Chanel avançava dois dígitos, os rivais patinavam no mesmo período: a LVMH cresceu apenas 2% em termos orgânicos, a Kering ficou em 1% e a Hermès em 6%. Ou seja, num momento em que praticamente todo o setor sofre com uma desaceleração que assustou investidores, a Chanel não só resistiu como acelerou. É o tipo de descolamento que raramente acontece no luxo, onde as grandes casas costumam subir e descer juntas conforme o humor do consumidor global.

O desempenho por divisão mostra que o crescimento foi amplo, não concentrado. A área de moda, que responde por cerca de 60% da receita total da Chanel, cresceu em linha com o grupo, impulsionada por itens que viraram objeto de desejo imediato, como a bolsa de couro “maxi flap”, vendida a 8.500 dólares, e as versões desfiadas e coloridas do clássico tweed. A divisão de relógios e alta joalheria disparou cerca de 35%, puxada pela linha Coco Crush, enquanto fragrâncias e beleza subiram por volta de 8%. Todas as regiões registraram alta, incluindo mercados sensíveis como China e Oriente Médio.

Vendas da Chanel crescem 16% no primeiro semestre
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Vale entender por que esse resultado importa tanto para além da própria Chanel. O setor de luxo vinha de uma temporada de balanços mornos, e o mercado precisava de uma boa notícia para acreditar que a desaceleração não era estrutural. A Chanel entregou exatamente isso, provando que o problema talvez não seja o consumidor de luxo em si, e sim a falta de desejo que algumas marcas passaram a despertar. Quando as vendas da Chanel crescem enquanto as dos rivais estagnam, a mensagem é clara: produto certo, no momento certo, ainda move filas, mesmo com preços nas alturas.

O trunfo por trás de tudo, no fim, é criativo antes de ser financeiro. Blazy assumiu a direção artística no lugar de Virginie Viard e apresentou sua primeira coleção em outubro, reacendendo o desejo em torno de uma marca que já era gigante, mas que precisava de uma nova voz. O curioso é que boa parte do impacto dele mal começou a aparecer nos números, já que as coleções só chegaram às lojas em março. Se as vendas da Chanel já saltaram 16% com apenas um semestre de “Blazymania”, a pergunta que fica é até onde a casa pode ir quando o efeito estiver plenamente instalado. Por ora, num luxo cheio de incerteza, a Chanel virou a exceção que todos gostariam de ser.

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