The Last House divide a crítica na estreia pela Netflix

O thriller de sobrevivência com Wagner Moura e Greta Lee prende uma família dentro de casa, e prende também o espectador, mesmo quando não faz muito sentido.

The Last House divide a crítica na estreia pela Netflix
Foto: Reprodução

“The Last House” estreou na Netflix nesta sexta-feira, dia 7 de agosto, e chega dividindo a crítica entre o elogio à tensão e a frustração com a falta de sentido. Dirigido por Louis Leterrier, o mesmo de “Fast X” e “Truque de Mestre”, o filme parte de uma premissa simples e claustrofóbica: uma família de quatro pessoas é subitamente selada dentro da própria casa, sem qualquer saída, e precisa se unir para sobreviver enquanto os recursos minguam e uma ameaça misteriosa mantém todos presos. Com Wagner Moura e Greta Lee nos papéis dos pais, o longa aposta no medo doméstico para segurar o espectador.

A construção do enredo é o que mais rende comparações. Vários críticos apontaram semelhanças com títulos como “Um Lugar Silencioso”, “A Névoa”, de Stephen King, e o thriller “Ninguém Vai Te Salvar”, já que o filme mistura ficção científica, horror, mistério e drama psicológico dentro de um único cenário. Nada impede fisicamente a família de sair, mas portas e janelas simplesmente não abrem, e uma chuva torrencial cai lá fora por dias que viram semanas, meses e anos. É uma inversão do clássico thriller de invasão de lar: aqui o perigo não é entrar, é não conseguir escapar.

O ponto em que a crítica mais converge, curiosamente, não é o sobrenatural. Segundo a Variety, o filme funciona melhor como um drama doméstico direto, em que a dinâmica familiar cada vez mais tensa dá credibilidade à trama justamente quando o que acontece fora da casa permanece indecifrável. A publicação classificou o resultado como um passeio tenso e prazeroso para tempos de ansiedade ambiental, ainda que questione se há significado real por trás do cenário de fim do mundo. Em outras palavras, o clima segura o filme mesmo quando a lógica não segura.

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Nem todos, porém, saíram convencidos, e vale registrar as vozes dissonantes. O Next Best Picture foi duro, chamando o longa de tentativa cansativa de gerar emoção e afirmando que até Moura e Greta Lee parecem tão frustrados na tela quanto o público no sofá. Outras análises apontaram o problema central do filme: excesso de ideias e incapacidade de escolher uma só para desenvolver, com Leterrier oscilando entre comentário social e ataques de monstro que acabam se anulando. A crítica do We’ve Got Back Issues resumiu bem, descrevendo o filme como inundado de ideias, mas sem foco, num vai e vem constante de qualidade.

Ainda assim, há consenso em pelo menos um elogio: a ambientação. Mesmo os textos mais críticos reconheceram que o mundo interno criado por Leterrier, com os personagens adaptando e transformando o próprio espaço à medida que a situação piora, entrega um dos melhores trabalhos de design de produção do ano. É o retrato de uma Netflix que, como sempre, oscila entre pesos-pesados e apostas medianas. “The Last House” fica no meio do caminho: um thriller de sobrevivência ambicioso e visualmente forte, que prende pela atmosfera, mas tropeça na hora de explicar por que, afinal, ninguém consegue abrir aquela porta. Para uma noite chuvosa em casa, talvez seja exatamente o clima certo.

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