A marca nova-iorquina de Hillary Taymour desfilou uma coleção única feita de sobras e retalhos, num encaixe perfeito com a pegada sustentável da semana.

A Collina Strada é a primeira convidada internacional da Copenhagen Fashion Week, e a escolha diz muito sobre a direção que o evento vem tomando. A marca nova-iorquina, fundada por Hillary Taymour, ocupou o recém-criado International Guest Slot, uma novidade estrutural da temporada de Primavera/Verão 2027, com um desfile único apresentado em 6 de agosto, no Operaparken. É a primeira vez que a etiqueta desfila permanentemente fora de Nova York, o que transforma a estreia em Copenhague num teste real, e não apenas em mais uma apresentação de calendário.
O encaixe entre marca e evento é o que torna a escolha tão coerente. Desde a fundação, em 2006, a Collina Strada construiu reputação em cima de coleções sustentáveis e inclusivas, com uma estética orgânica e naturalista sempre marcada por um toque alternativo. A Copenhagen Fashion Week, por sua vez, é hoje uma das semanas de moda mais rigorosas do mundo em critérios ambientais, exigindo que as marcas cumpram 19 padrões mínimos para entrar no calendário. Juntar as duas foi quase inevitável: poucas etiquetas internacionais traduzem tão bem os valores que Copenhague passou a defender.
A própria coleção materializou essa filosofia de forma literal. Para o desfile na capital dinamarquesa, a Collina Strada transformou retalhos esquecidos, experimentos de tecido e sobras de estúdio numa coleção única, feita a partir do que normalmente seria descartado. É a sustentabilidade saindo do discurso e virando método de construção, não apenas selo no material de imprensa. Numa temporada em que muitas marcas competem na base do acabamento impecável, apostar no reaproveitamento como estética é uma declaração de princípios, e um risco criativo que combina com a identidade da casa.



Taymour deixou claro que não se trata de abandono, e sim de representação. Conhecida por vestir o nova-iorquino que prefere o lúdico e se recusa a passar despercebido, a Collina Strada gerou apreensão entre seus fãs quando apareceu no calendário de Copenhague, num momento em que outras marcas da cidade, como The Row, migraram para Paris. Mas a estilista fez questão de esclarecer que usa a vaga de convidada internacional para representar Nova York globalmente e mostrar sua criatividade a um público inteiramente novo, sem qualquer intenção de deixar sua cidade natal. É expansão, não fuga.
O gesto também revela a ambição da própria Copenhagen Fashion Week. Ao criar um International Guest Slot e entregá-lo justamente à Collina Strada, o evento sinaliza que quer deixar de ser lido como uma semana regional e passar a disputar espaço como capital global da moda. A vaga é apoiada pelo The Climate Pledge, iniciativa fundada pela Amazon com foco em descarbonização, o que reforça a costura entre moda e agenda ambiental. Quando a Collina Strada se torna a primeira convidada internacional da Copenhagen Fashion Week, o recado é duplo: a marca ganha um palco novo, e a cidade ganha um símbolo de que sua aposta em sustentabilidade atrai nomes de fora. No fim, os dois lados saem fortalecidos.









