O Monterey, desenhado em 1988 pela arquiteta Gae Aulenti, volta em duas versões de cerâmica e, pela primeira vez, entra na coleção permanente da maison.

A Louis Vuitton trouxe de volta o Monterey, o relógio que marcou a estreia da maison na relojoaria, agora em cerâmica. São duas referências, W0CR11 em preto e W0CR21 em verde, e desta vez o modelo entra na coleção permanente da casa.
A história começa em 1988. A Louis Vuitton encomendou à arquiteta italiana Gae Aulenti o desenho de seus dois primeiros relógios de pulso, batizados Montre I e Montre II, em cerâmica e ouro, com movimento de quartzo e função alarme fornecido pela IWC. O nome que pegou, porém, veio de um engano: estrangeiros liam “Montre” como “Monterey”, e o apelido acabou substituindo o nome oficial.

O desenho de Aulenti permanece quase intacto. A caixa tem formato de seixo, com 37 milímetros de diâmetro e 11 de espessura, em cerâmica de óxido de zircônio, e a coroa fica às 12 horas, não na lateral. Não há alças: a pulseira em couro de bezerro granulado com costura contrastante passa por uma presilha na parte de trás da caixa. A resistência à água é de 30 metros.
Os dois mostradores seguem lógicas diferentes. A versão preta traz laca branca fosca com ponteiros vermelhos, marcadores ferroviários e ponteiro de segundos azul. A verde tem laca verde fosca, marcadores brancos e ponteiros de hora e minuto amarelos.
A mudança de fundo está no motor. Os originais usavam quartzo de terceiros; o Monterey de agora traz o calibre automático LFT MA01.02, desenvolvido pela La Fabrique du Temps, a manufatura da Louis Vuitton em Genebra. São 174 componentes, 45 horas de reserva de marcha, frequência de 28.800 alternâncias por hora e acabamento com perlagem circular, pontes acetinadas, mancais de safira e rotor em ouro rosa 750. O relógio marca apenas horas, minutos e segundos, sem data.

O preço varia conforme a fonte e o mercado, entre cerca de 19 mil euros antes de impostos e 23 mil euros com impostos na Europa, o equivalente a 22,9 mil dólares nos Estados Unidos. A venda é exclusiva das boutiques e do site da Louis Vuitton.
O dado comercial mais relevante talvez seja o que o Monterey deixou de ser. A versão em ouro amarelo lançada em 2025 era limitada a 188 peças. Esta é produção regular, por menos da metade do preço daquela. É a diferença entre um exercício de arquivo para colecionador e uma peça que a marca quer vender de forma contínua.









