Como a sustentabilidade mudou a trajetória da Copenhagen Fashion Week

Ao virar a primeira grande semana de moda a exigir padrões ambientais para desfilar, o evento nórdico deixou de ser coadjuvante e virou modelo para o mundo.

Como a sustentabilidade mudou a trajetória da Copenhagen Fashion Week
Foto: Reprodução

A sustentabilidade mudou a trajetória da Copenhagen Fashion Week de um jeito que poucos previam, transformando um evento nórdico de porte médio numa das vozes mais respeitadas da moda global. A virada tem data e sobrenome. Em 2020, a semana lançou seu primeiro Plano de Ação de Sustentabilidade, e em 2023 se tornou a primeira grande semana de moda do mundo a exigir o cumprimento de padrões ambientais como condição obrigatória para entrar no calendário oficial. Não era mais um discurso bonito no material de imprensa, era regra de admissão.

O sistema por trás dessa exigência é mais robusto do que soa. Hoje, as marcas que desfilam na CPHFW precisam cumprir 19 padrões mínimos, que cobrem desde a origem dos materiais e a medição de emissões até as condições de trabalho e o impacto da própria produção dos desfiles. Entre as proibições diretas estão pontos que ainda causam desconforto em boa parte da indústria: pele animal virgem, peles de animais selvagens, plásticos de uso único e, talvez o mais simbólico, a destruição de estoque não vendido. São vetos concretos, não metas vagas para um futuro distante.

O mais interessante é que a régua sobe a cada temporada. A Copenhagen Fashion Week revisa e endurece as exigências de forma contínua, e para o Outono/Inverno 2026 as marcas passaram a precisar de estratégias de sustentabilidade formalmente aprovadas, políticas explícitas de diversidade na contratação e abordagens de design circular. Há ainda a Carta Ética da Moda Dinamarquesa, que todas as participantes assinam, comprometendo-se a promover ideais de corpo mais inclusivos e a garantir pagamento justo e avaliação de saúde dos modelos. A sustentabilidade, aqui, não se resume ao meio ambiente, ela abraça também o bem-estar de quem faz a moda acontecer.

O impacto dessa postura ultrapassou a Escandinávia, e esse é o ponto que mais pesa. A fórmula da CPHFW virou modelo, e outras semanas de moda, como Londres, Berlim, Amsterdã e Oslo, passaram a integrar padrões mínimos semelhantes aos seus calendários. Em janeiro de 2026, o evento comemorou 20 anos de existência, consolidando uma reputação que começou modesta e hoje rivaliza em prestígio com nomes bem mais tradicionais. O que nasceu como aposta arriscada de um evento pequeno provou que exigir responsabilidade pode ser justamente o diferencial competitivo.

Nada disso significa que o caminho esteja resolvido, e ignorar as ressalvas seria contar meia história. Permanecem desafios reais, como a dificuldade de acesso para marcas menores, que nem sempre têm estrutura para cumprir todas as exigências, e a complexidade de verificar de fato a transparência das informações declaradas. Mas esses obstáculos não apagam a lição central. Ao mostrar como a sustentabilidade mudou a trajetória da Copenhagen Fashion Week, o evento derruba um mito antigo da indústria: o de que regra rígida sufoca a criatividade. O que se viu foi o contrário. As diretrizes firmes não travaram a inovação, elas a direcionaram para um lugar mais consciente, e o mundo inteiro está prestando atenção.

Gostou da matéria ‘Como a sustentabilidade mudou a trajetória da Copenhagen Fashion Week‘? Se você curte conteúdo sobre moda e tendências, acesse o nosso canal do YouTube

Compartilhe

VOCÊ TAMBÉM PODE GOSTAR