A decisão vem após reclamações no US Open envolvendo creators gravando conteúdo durante partidas e usando equipamentos que distraíram jogadores.

O Wimbledon de 2027 não pretende conceder credenciais específicas para influencers e criadores de conteúdo. A postura do torneio ganhou atenção depois dos episódios registrados no US Open de 2026, onde a presença de creators dentro das arquibancadas gerou reclamações de jogadores e discussões sobre comportamento durante as partidas.
O ponto precisa ser entendido corretamente: não se trata de impedir influencers de comprarem ingressos e assistirem ao torneio como qualquer outro espectador. A questão envolve a acreditação, ou seja, o acesso oficial fornecido pela organização para determinados profissionais e convidados.
Segundo a EFE, Wimbledon pretende manter sua prática de não acreditar influencers e criadores de conteúdo. A decisão contrasta com a estratégia adotada pelo US Open neste ano.
Em Nova York, aproximadamente 100 credenciais foram concedidas a influencers. O número foi cerca do dobro do disponibilizado anteriormente, dentro de uma estratégia para ampliar o alcance do torneio e chegar a novos públicos.
O problema começou quando produção de conteúdo e partida passaram a disputar o mesmo espaço.
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Wimbledon influencers: por que o assunto chegou ao torneio
Durante o US Open, alguns creators foram criticados por gravarem vídeos enquanto os jogos estavam acontecendo.
Um dos episódios que ganhou maior repercussão ocorreu durante uma partida de Naomi Osaka. Um grupo produzia conteúdo nas arquibancadas utilizando iluminação e falando durante o jogo, levando o árbitro de cadeira a intervir mais de uma vez.
Ring lights passaram a representar visualmente toda a discussão, mas o problema apontado pelos jogadores era mais básico: movimentação, conversa e gravações acontecendo durante pontos que exigem concentração.
No tênis, o público possui liberdade para comemorar entre os pontos, mas o comportamento muda quando a bola entra em jogo. Conversas altas, deslocamentos e equipamentos luminosos podem interferir diretamente na partida.
O All England Club já possui regras que dificultam situações semelhantes. Equipamentos como aros de luz não são permitidos dentro das partidas de Wimbledon.
O que aconteceu com os influencers no US Open
A edição de 2026 do US Open ampliou sua aposta em criadores digitais.
A ideia é fácil de entender do ponto de vista de marketing. Um creator publica bastidores, looks, experiências dentro do complexo e vídeos que chegam a públicos que talvez não acompanhem transmissões tradicionais de tênis.
Só que o torneio também deixou mais evidente um choque entre dois tipos de comportamento.
De um lado está um esporte com códigos específicos de silêncio e circulação durante os pontos. Do outro, uma cultura de produção de conteúdo baseada em filmar reações, conversar com a câmera e registrar a própria experiência em tempo real.
Quando as duas coisas acontecem ao mesmo tempo e no mesmo lugar, aparecem problemas.
Naomi Osaka, Coco Gauff e Jessica Pegula estiveram entre as jogadoras que comentaram o comportamento de parte do público durante o torneio. Pegula apontou falta de respeito com jogadores que estão trabalhando e competindo, enquanto Gauff comparou a situação à necessidade de entender como se comportar de acordo com o ambiente.
Isso não significa que os próprios atletas sejam contra creators.
Frances Tiafoe e Daniil Medvedev, por exemplo, defenderam a capacidade desse público de apresentar o tênis a novas audiências.
É justamente aí que a discussão fica interessante.
O problema é ser influencer ou não saber assistir a tênis?
Colocar todos os creators no mesmo grupo seria simplificar demais o que aconteceu.
O US Open distribuiu cerca de 100 credenciais para influencers dentro de um evento que recebe centenas de milhares de espectadores. Ou seja, creators representam uma parcela pequena do público total.
Também existem espectadores sem qualquer relação profissional com redes sociais que conversam durante os pontos, entram atrasados, utilizam o celular ou simplesmente não conhecem as regras informais do esporte.
Parte do debate, portanto, é sobre informação.
Quem convida um creator para produzir conteúdo dentro de um torneio precisa explicar quais comportamentos funcionam naquele ambiente. A mesma regra serve para marcas, patrocinadores e convidados corporativos.
É possível gravar o look, mostrar restaurantes, circular pelo complexo, produzir conteúdo antes das partidas e registrar reações entre os pontos sem transformar a arquibancada em um estúdio.
O tênis também quer novos públicos
A presença de influencers em eventos esportivos não surgiu por acaso.
Grandes competições disputam atenção durante o ano inteiro, enquanto marcas querem conversar com públicos mais jovens em TikTok, Instagram e YouTube. O creator se tornou uma forma rápida de levar o evento para fora das transmissões esportivas tradicionais.
O próprio US Open está cada vez mais próximo de entretenimento, moda e cultura. Restaurantes, ativações de marcas, celebridades e conteúdo social fazem parte da experiência ao redor das quadras.
E existe demanda para isso.
O tênis vive um período em que atletas, moda e cultura pop aparecem cada vez mais conectados. O estilo de jogadores vira referência, marcas lançam coleções em torno dos Grand Slams e imagens produzidas fora das quadras circulam tanto quanto alguns resultados esportivos.
A discussão do US Open não elimina essa estratégia. Ela coloca uma regra simples no centro do assunto: o conteúdo não pode atrapalhar a partida.
Wimbledon seguirá um caminho diferente em 2027
Wimbledon sempre trabalhou com uma imagem mais controlada.
O torneio do All England Club mantém códigos visuais e comportamentais próprios, desde as roupas predominantemente brancas utilizadas pelos jogadores até a organização das arquibancadas e circulação durante os jogos.
Nesse contexto, a decisão de não criar uma categoria de credenciamento para influencers é coerente com a forma como Wimbledon já administra o evento.
Isso também não significa que o torneio ficará fora das redes sociais.
Conteúdo digital continuará circulando, creators continuarão falando sobre Wimbledon e marcas continuarão usando o torneio como plataforma. O que muda é quem recebe acesso oficial dentro do sistema de acreditação.
Depois do barulho provocado pelo US Open, a discussão provavelmente continuará acompanhando os próximos Grand Slams.
Não porque creators sejam incompatíveis com o tênis, mas porque um ring light ligado no meio de um ponto já deixou claro onde termina a estratégia de conteúdo e começa a partida.
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