Desenhos de Yohji Yamamoto vêm à tona em livro inédito

Centenas de esboços originais foram encontrados por acaso num galpão em Tóquio, e agora viram um volume de 320 páginas pela Thames & Hudson.

Desenhos de Yohji Yamamoto vêm à tona em livro inédito
Foto: Reprodução

Os desenhos de Yohji Yamamoto vêm à tona em livro inédito, e a origem da descoberta é quase boa demais para ser verdade. Intitulado “Yohji Yamamoto Drawings”, o volume reúne centenas de esboços nunca publicados, feitos entre 1981, ano da estreia do japonês na Semana de Moda de Paris, e 1999. Publicado pela Thames & Hudson e disponível a partir de 29 de outubro, o livro tem 320 páginas e 183 ilustrações, oferecendo uma janela exclusiva para o arquivo pessoal de um dos criativos mais influentes da história da moda.

A história de como esse material apareceu começa de forma quase acidental. Segundo Alexandre Samson, historiador, curador de moda e autor do livro, tudo aconteceu num galpão em Tóquio, em maio de 2024. O que à primeira vista parecia uma pilha de documentos esquecidos escondia, na verdade, centenas de desenhos originais do estilista, cobrindo praticamente todas as suas coleções femininas e masculinas, incluindo algumas das mais revolucionárias do fim do século passado. É o tipo de achado que costuma existir só em lenda de arquivo.

O conteúdo, porém, vai muito além de esboços preparatórios. Nos rabiscos aparecem casacos de proporções esculturais, figuras levemente curvadas, vestidos fluidos e silhuetas que desafiam qualquer convenção, exatamente o vocabulário que fez de Yamamoto uma das vozes mais radicais da moda contemporânea. O que se vê ali é o momento anterior à roupa, quando a ideia ainda é traço e intenção. Para quem estuda o trabalho dele, é material de primeira ordem.

Desenhos de Yohji Yamamoto vêm à tona em livro inédito
Foto: Reprodução

A curadoria reforça o peso do projeto. O material foi cuidadosamente selecionado pelo próprio estilista, e a direção gráfica ficou a cargo de Peter Saville, referência absoluta do design contemporâneo, conhecido por capas que definiram a estética de uma geração inteira. Ou seja, não é um catálogo montado às pressas para aproveitar um nome forte, e sim um objeto editorial pensado com o mesmo rigor que Yamamoto aplica às próprias coleções.

Há ainda uma frase do estilista que resume bem o espírito da publicação. Em “My Dear Bomb”, de 2010, ele escreveu que o mérito artístico do esboço não é o que importa, e que o melhor é encará-lo como uma espécie de código compartilhado entre o designer e o modelista. É uma definição que desarma qualquer expectativa de contemplação estética e devolve o desenho à sua função original: comunicar uma ideia a quem vai executá-la. Quando os desenhos de Yohji Yamamoto vêm à tona em livro inédito, o que se revela não é o artista posando de gênio, e sim o profissional tentando explicar, no papel, uma silhueta que ainda não existia.

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