Depois de 15 anos no comando, o executivo se despediu por carta interna e passa a presidente executivo do conselho, com John Ternus assumindo a cadeira nesta terça.

Tim Cook deixou o cargo de CEO da Apple. O último dia dele à frente da empresa foi 31 de agosto, encerrado com uma carta interna enviada a todos os funcionários, e a partir desta terça-feira, 1º de setembro, quem ocupa a cadeira é John Ternus. É o fim de um ciclo de 15 anos que começou em 2011, quando Cook sucedeu Steve Jobs e herdou a tarefa mais desconfortável do Vale do Silício: comandar a empresa depois do fundador que a definiu.
O tom da carta foi menos corporativo do que o gênero costuma permitir. Cook escreveu que sempre soube que o momento chegaria, mas que ainda custava acreditar que estava escrevendo aquelas palavras, e atribuiu integralmente aos funcionários qualquer sucesso que lhe seja creditado. O trecho mais citado é o que trata de cultura: ele afirma que o que mais o orgulha é justamente aquilo que nenhum relatório anual consegue registrar, e retoma a expressão de Jobs sobre deixar uma “marca no universo” como algo que a empresa conseguiu por causa de quem são e no que acreditam. Sobre o sucessor, disse encontrar conforto em passar o comando a alguém tão competente quanto Ternus.
Cook não está saindo da Apple. Ele assume imediatamente o posto de presidente executivo do conselho, mantém o Apple Park como base de operações e, na nova função, vai apoiar diversas frentes da empresa e conduzir o diálogo com formuladores de políticas públicas mundo afora. Na prática, é o desenho clássico de transição em que o antecessor continua disponível sem ocupar o centro da mesa, algo que a Apple não conseguiu fazer na sucessão anterior por razões óbvias.
Ternus chega ao cargo vindo da vice-presidência sênior de Engenharia de Hardware, área em que liderou o desenvolvimento das principais linhas de produto da empresa. A sucessão passou por processo aprovado pelo Conselho de Administração e havia sido anunciada oficialmente pela Apple em abril de 2026, o que deu à companhia quatro meses de transição pública, sem o solavanco de uma troca súbita.
O que fica para trás é uma gestão que reposicionou a Apple. Cook transformou uma fabricante de aparelhos em uma operação sustentada também por serviços, vestíveis e chips próprios, e conduziu a empresa aos patamares de valor de mercado que nenhuma companhia havia alcançado antes. O que fica pela frente é a pergunta que sempre acompanha esse tipo de troca: se a próxima década da Apple ainda será definida pelo iPhone ou por outra coisa.









