Spotify aposta em remixes com IA licenciada

Um acordo com a Merlin traz mais de 30 mil selos independentes para a nova ferramenta que deixa fãs criar covers e remixes por IA, com consentimento e pagamento do artista.

Spotify aposta em remixes com IA licenciada
Foto: Reprodução

O Spotify está apostando em remixes com IA licenciada, e a nova ferramenta ganhou um reforço importante nesta semana. Na terça-feira, 4 de agosto, a plataforma anunciou um acordo de licenciamento com a Merlin, parceira que representa mais de 30 mil selos independentes e distribuidores pelo mundo. Na prática, isso amplia enormemente o alcance de um recurso ainda por lançar, que vai permitir aos assinantes criar covers e remixes gerados por inteligência artificial a partir de músicas de artistas participantes. É a plataforma tentando transformar IA de ameaça em fonte de receita, com o consentimento de quem detém os direitos.

O ponto central do acordo é justamente o consentimento, e vale destacar isso. A ferramenta funcionará como um complemento pago para usuários do Spotify Premium, e nenhum artista entra na brincadeira sem querer: a participação é opt-in, ou seja, cada músico ou selo escolhe se quer ou não disponibilizar seu catálogo para remixes. Segundo Charlie Hellman, vice-presidente e chefe global de música do Spotify, o acordo garante que os artistas participantes sejam creditados e remunerados, e que toda criação direcione os ouvintes de volta à obra original. É uma tentativa clara de responder às críticas de que a IA passa por cima dos direitos autorais.

Esse acordo com a Merlin não é o primeiro, e o contexto ajuda a entender a estratégia. Em maio deste ano, o Spotify já havia fechado o primeiro pacto para a ferramenta com a Universal Music Group, cobrindo tanto a música gravada quanto os direitos de publicação. Agora, quando o Spotify estende os remixes com IA licenciada ao setor independente, ele completa uma peça importante do quebra-cabeça, alcançando dos grandes selos aos pequenos criadores. A ideia declarada é criar uma nova fonte de renda para os participantes, num momento em que a monetização de música por streaming segue sendo assunto sensível.

Spotify aposta em remixes com IA licenciada
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O timing do anúncio revela outra camada da história. A notícia veio junto com o balanço do segundo trimestre de 2026 do Spotify, no qual a empresa confirmou ter ultrapassado, pela primeira vez, a marca de 300 milhões de assinantes Premium. Ou seja, a plataforma anuncia uma nova aposta em IA no exato momento em que exibe força de negócio, tentando mostrar aos investidores que sabe transformar tendência tecnológica em produto pago. Não por acaso, a própria empresa avisou que o crescimento de usuários deve desacelerar enquanto ela “puxa a alavanca da monetização”.

Ainda assim, o terreno é escorregadio, e ignorar isso seria contar meia história. A indústria da música vive um momento de tensão em torno da IA, com entidades como RIAA e IFPI propondo sistemas para rotular faixas como “geradas por IA” ou “assistidas por IA”, e gravadoras discutindo como esse tipo de música poderia ou não entrar em paradas. Nenhuma dessas propostas foi adotada até agora, o que mostra que as regras do jogo ainda estão sendo escritas. Quando o Spotify aposta em remixes com IA licenciada, ele tenta se posicionar do lado “responsável” dessa disputa, com pagamento e consentimento no centro. Se isso vai bastar para convencer artistas céticos, e fãs, é o que os próximos meses vão dizer.

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